![]() |
| No Complexo Médico Penal de Pinhais, as condições de saúde dos presos são avaliadas, ano a ano, para determinar as chances de reintegração à sociedade. Albari Rosa/Gazeta do Povo |
Segundo dados do Complexo Médico Penal, 39% dos presos do local são dependentes químicos e 61% sofrem de algum transtorno mental. Cadu engrossava essas estatísticas. Ele foi parar no Complexo de Pinhais após ter sido considerado pela Justiça incapaz de entender o caráter ilícito do duplo assassinato que havia cometido em Osasco, na Grande São Paulo. Glauco e seu filho conheciam o seu algoz da Igreja Céu de Maria, instituição fundada pelo cartunista e que seguia a seita Santo Daime.
Características
Doenças mentais acometem 61% dos mais de 600 presos do Complexo Médico Penal de Pinhais. Veja porcentuais:
• Psicose com características de esquizofrenia: 38%
• Déficit cognitivo/retardo mental: 8,6%
• Outros (transtornos de humor/epilepsia/psicopatia/etc.): 14,4%
• Já a dependência química atinge 39% dos internados
• Dependentes de substâncias ilícitas – como crack, cocaína, maconha: 26%
• Dependentes de substâncias lícitas – álcool: 13%
Fonte: Complexo Médico Penal de Pinhais
Assim como com o assassino de Glauco, os presos considerados inimputáveis por causa da doença que os acomete são reavaliados ano a ano por meio de laudo de sanidade mental. Se a junta médica e o juiz entenderem que o interno tem condições de regressar à sociedade, a legislação penal permite que a medida de segurança seja trocada pela liberdade vigiada.
O direito a que Cadu e metade da população carcerária do Complexo Médico de Pinhais teve poderia se estender a ainda mais presos. Isso porque, de acordo com Rita de Cássia Pinto Arantes, do Setor de Laudos e Perícias do Complexo Médico Penal, o porcentual de doentes mentais do sistema penitenciário paranaense pode ser ainda maior. “As doenças mentais acometem de 4 a 5% da população em geral. Como temos 16 mil presos, estima-se que haja essa mesma proporção de doentes no sistema”. A unidade de Pinhais é a única do estado a receber presos sentenciados à medida de segurança.
O assassino confesso de Glauco ficou um ano e dois meses internado na unidade da Grande Curitiba. Segundo Rita de Cássia, Cadu havia chegado ao local “muito mal”. “Mas quem retirou a medida de segurança foi um juiz em Goiânia, quando ele já havia sido transferido”, argumenta a psicóloga. A transferência ocorreu a pedido da família. Menos de um ano depois da mudança, ele entrou em liberdade vigiada.
A presença familiar na vida do preso, entretanto, não é a regra. Segundo Rita de Cássia, o abandono é corriqueiro. “É muito comum que o crime entre esses presos ocorra dentro do ambiente familiar. Por isso, as visitas são raras.” Os contatos, quando ocorrem, são por meio de telefonemas e cartas.
Fonte: Gazeta do Povo/Raphael Marciori

Nenhum comentário:
Postar um comentário