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Não há nada a temer, cumprimos nosso papel. E o Brasil, definitivamente, agora é outro. Não que não tenhamos que defender nossos interesses e não que não precisemos mais brigar para atender dignamente à população. Ou mesmo que a Democracia não corra mais riscos ou as outras categorias não sejam jogadas contra nós na tentativa de nos intimidar ou silenciar. Mas depois das eleições de 2014, o que mudou não volta mais.
E aí, temos um país finalmente com uma situação e uma oposição. Isso é uma conquista extraordinária para a política brasileira, pois faz o controle das ambições totalitárias do pensamento único, que vê sob confronto o projeto bolivariano de supressão de liberdades e perpetuação de poder. Até mesmo os propalados projetos assistenciais perderam um pouco o encanto, quando se viu como as consciências são manipuladas e o voto comprado, pela assistência que deveria ser política de estado e se transformou em propriedade de partido.
A mentira como prática contumaz se viu sob ataque, e o uso da desconstrução ou demolição do adversário mostrou um certo esgotamento, pois esse tipo de política divisionista e destrutiva, de quem não aprendeu outro tipo de prática, finda levando à destruição de valores sagrados para a sociedade como ética e respeito. A natureza do marketing começou a ser vista como algo não de gênio, como foi visto por algum tempo, mas como prática perversa e assemelhada às práticas de marketing dos regimes mais desprezíveis da humanidade, como fascismo ou nazismo.
Há dois caminhos que parecem se apresentar à frente. Um democrático, de quem entendeu que somos uma nação, e o recado foi dado de que nenhum projeto pode ser levado avante sem consentimento do povo. Que valores como democracia, mérito, ética, estudo, trabalho, igualdade de oportunidades, fraternidade e liberdade não estão condicionados por qualquer circunstância, mesmo as que momentaneamente parecem bem intencionadas, mas ao fim se revelam aprisionadoras de consciências e geradoras de dependência. A busca de um país moderno exige fim de privilégios e valorização do mérito, justiça social, mas montada na singularidade e na individualidade, não como massa a ser manobrada.
O outro caminho é o do conflito, de quem se vê confrontado e ameaçado em seus projetos, e para garanti-los pode lançar mão de todos os mecanismos, inclusive agressão aos direitos individuais, à liberdade e à propriedade.
Vejo que a consciência em defesa do país livre e democrático que queremos está nas ruas, nas praças, nas conversas, e que as pessoas se mostram dispostas a defender suas crenças. Pode ser até que alguns percalços surjam à frente, pode ser que alguns não tenham entendido o recado das urnas, pode até ser que alguns entendam que é preciso sufocar esse recado. Mas não será fácil. Há um país novo, nascido das eleições de 2014, que traz como legado uma situação e uma oposição quase em pé de igualdade, e uma sociedade amadurecida para defender seus direitos e interesses.
Quanto a nós, médicos, que temos sido aviltados em nossa dignidade, vejo com satisfação que brotou em nós um sentimento de categoria, nunca visto. Onde isto nos levará? Talvez a uma organização mais eficiente e canalização de nossas energias para uma defesa mais dura do que pensamos sobre saúde pública e assistência ao nosso povo. Talvez isso desemboque numa ação política mais efetiva, afinal isso aconteceu com vários grupos, entre eles professores e petroleiros, por exemplo. Disse uma vez que Nada será como antes, posso completar que não há nada a temer. 07/11/2014
Fonte: Geraldo Ferreira - Presidente FENAM e Sinmed-RN
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