Lançada em abril deste ano, a rede tem como objetivo organizar e articular os serviços de saúde para oferecer atenção integral aos dependentes químicos e pessoas com transtornos mentais. O atendimento é realizado de forma multidisciplinar e o mais próximo da casa do paciente, se possível com o envolvimento da família em todo o processo de tratamento.
O chefe do Departamento de Atenção às Condições Crônicas da Secretaria da Saúde, Juliano Gevaerd, explica que o governo estadual está investindo para qualificar e ampliar o acesso aos pontos de atenção da rede, como unidades de atenção primária, centros de atenção psicossocial (CAPS) e hospitais. "Foi preciso capacitar profissionais, incentivar a implantação de novos serviços especializados e garantir mais recursos para auxiliar no custeio dessas unidades e ações", destacou.
Segundo a assistente social da Confederação Nacional de Municípios, Rosangela da Silva Ribeiro, a saúde mental deve ser tratada como prioridade pelos gestores, visto que a demanda por atendimento vem aumentando muito por conta da epidemia do crack e outras drogas. Através do projeto observatório do crack, constatou-se que 98% dos mais de 4 mil municípios brasileiros pesquisados tinham problemas com circulação e consumo de drogas.
"Esse dado mostra que a droga não é um problema exclusivo de grandes cidades. Pequenos municípios também estão sendo afetados pela epidemia, o que reforça a importância da ampliação do acesso às diversas alternativas de tratamento", ressaltou Rosangela.
ATENÇÃO PRIMÁRIA – De acordo com as diretrizes da Rede de Saúde Mental, as equipes das Unidades Básicas de Saúde têm papel fundamental na atenção aos pacientes. Elas devem ser responsáveis por acolher e acompanhar de perto a evolução do tratamento dos dependentes químicos e pessoas com transtornos mentais.
Neste ano, a Secretaria da Saúde capacitou mais de 35 mil profissionais para fortalecer o atendimento na atenção primária e elaborou um protocolo de estratificação de risco em saúde mental para guiar o trabalho das equipes. Em breve, o Estado também vai destinar incentivo financeiro mensal para os municípios que mantiverem profissionais de saúde mental na equipe dos núcleos de atenção à saúde da família (Nasf).
Atualmente, o Paraná já conta com quatro estruturas deste gênero: Guarapuava, Marmeleiro, Toledo e Congonhinhas. Estão previstas mais três unidades em Cascavel, Jandaia do Sul e Piraquara. Os serviços têm financiamento do Estado em parceria com os municípios, tanto na implantação quanto no custeio das atividades. "Esta é a primeira vez na história que o governo estadual investe recursos em serviços extra-hospitalares de saúde mental", informa Gevaerd.
O primeiro SIMPR implantado foi o de Guarapuava, em abril deste ano. Ele é referência no atendimento infantil, com 20 leitos de acolhimento, e adulto, com outras 26 vagas. De lá pra cá, 250 pacientes já foram atendidos.
A coordenadora do SIMPR de Guarapuava, Eliane Harmuch, informa que o serviço já obteve resultados significativos nesses primeiros sete meses de trabalho. "Nosso compromisso é tratar o problema e preparar o paciente para ser reinserido na sociedade no menor tempo possível. Prova disso são os relatos que temos de adultos que voltaram ao mercado de trabalho e crianças que retornaram à escola", explica.
HOSPITAIS – O Estado do Paraná também considera a importância dos hospitais psiquiátricos como pontos de atenção da rede. Desde 2011, o governo estadual destina cerca de R$ 28 milhões por ano para garantir a oferta de leitos específicos de saúde mental em todas as regiões.
Fonte: SESA/PR
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