Os pesquisadores visitaram 80 mil casas em 1.600 municípios de todas as regiões, durante o segundo semestre do ano passado e expandiram os resultados obtidos para o universo de 146,3 milhões de pessoas com 18 anos ou mais de idade, em 2013. A PNS estimou que o Brasil tem 31,3 milhões de hipertensos (21,4% do total), 27 milhões com problemas na coluna (18,5%) e 2,2 milhões de pessoas que já sofreram um AVC. Parte da população (12,5%) foi diagnosticada com colesterol alto, enquanto 6,2% têm diabetes e 4,2% apresentam alguma doença cardiovascular.
A Região Sudeste liderou os diagnósticos de hipertensão, com 23,3%. Entre as mulheres adultas, a prevalência da doença foi maior (24,2%) que entre os homens (18,3%). Em todo o Brasil, 69,7% dos hipertensos disseram receber assistência médica nos 12 meses anteriores à pesquisa. As unidades básicas de Saúde foram responsáveis por 45,9% dos atendimentos aos hipertensos.
No que se refere ao colesterol elevado, a proporção maior foi encontrada também nas mulheres adultas (15,1%). Entre os homens, o percentual foi 9,7%, sendo que para ambos os sexos, a principal recomendação médica para baixar a taxa de colesterol foi ter uma alimentação saudável, em 93,7% dos casos.
Em termos de depressão, a doença foi confirmada por um profissional de saúde mental em 11,2 milhões de adultos, o que correspondeu a 7,6% de pessoas com 18 anos ou mais. A pesquisa destaca, entretanto, que desse total somente 46,6% tiveram assistência médica nos 12 meses anteriores à pesquisa. No que se refere ao câncer, o diagnóstico foi positivo para 1,8% da população adulta (2,7 milhões de pessoas), com incidência maior de próstata (36,9%), entre os homens, e de mama (39,1%) e colo de útero (11,8%), entre as mulheres. Nos dois sexos, o tipo de câncer mais comum é o de pele (16,2%).
A única região que apresentou proporção de casos de problema crônico de coluna superior à média nacional foi a Sul, com 23,3%. A maior prevalência no Brasil, em 2013, para esse tipo de doença foi encontrada também entre as mulheres (21,1%), enquanto nos homens o índice foi 15,5%.
A PNS identificou que 24% da população adulta costumavam ingerir bebida alcoólica pelo menos uma vez por semana, sendo que esse hábito é mais frequente entre os homens (36,3%) do que entre as mulheres (13%).
Em entrevista à Agência Brasil, a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, destacou que “quando se associa a bebida à direção, verifica-se que a proporção de homens (27,4%) supera a de mulheres (11,9%)”. Entre os brasileiros acima de 18 anos que dirigem veículos no trânsito, 24,3% admitiram ter dirigido automóvel ou motocicleta após ingerir bebida alcoólica.
Do total de adultos pesquisados no Brasil, 12,7% eram fumantes diários e 17,5%, ex-fumantes, em 2013. Entre os fumantes diários, os homens foram a maior parcela: 16,2%, contra 9,7% de mulheres. O cigarro industrializado foi o produto do tabaco mais consumido por 14,5% dos fumantes.
A PNS mostrou ainda que 46% dos adultos consultados não costumavam praticar atividades físicas em nível satisfatório tanto no lazer, quanto no trabalho, em casa ou nos deslocamentos para o trabalho. No lazer, considerado mais importante pelos técnicos do IBGE, 27,1% dos homens acima de 18 anos praticavam o nível recomendado de atividades físicas em 2013. Entre as mulheres, o índice foi 18,4%.
Entre os adultos, 28,9% admitiram assistir à televisão por um período acima de três horas por dia. Conjugado ao fato de não praticarem atividades físicas suficientes no tempo livre, principalmente, isso amplia a possibilidade de se tornarem obesas e, em consequência, sujeitas a outras doenças., alerta a pesquisa.
Em 2013, 37,3% da população relataram seguir a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) no que se refere ao consumo de frutas e hortaliças, que envolve a ingestão diária de, pelo menos, 400 gramas desses alimentos. São destaques as regiões Centro-Oeste e Sudeste, onde o consumo de frutas e hortaliças atingiu 43,9% e 42,8%, respectivamente. Maria Lúcia chamou a atenção, em contrapartida, para o fato de 37,2% dos brasileiros adultos terem admitido consumir carne vermelha ou frango com excesso de gordura, principalmente na Região Centro-Oeste (45,7%). O consumo desses alimentos foi maior entre os homens (47,2%) do que entre as mulheres (28,3%).
Maria Lúcia avaliou que embora as mulheres fumem menos e bebam menos do que os homens, elas ficam mais doentes, de forma geral. A diferença, segundo esclareceu a gerente da PNS, é que a pesquisa abordou as doenças crônicas e não o fato de as pessoas terem ou não a doença. “A gente sabe que as mulheres frequentam mais os consultórios médicos, elas procuram mais que os homens, por isso têm mais diagnóstico. Além disso, elas atingem idades mais avançadas e essas doenças crônicas ocorrem em maior proporção conforme a idade aumenta. Essas seriam as justificativas para as mulheres terem uma prevalência maior dessas doenças”., disse.
Fonte: Portal EBC
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