Foto: Simers
No Brasil, a primeira mulher a obter o diploma de médica foi Maria Augusta Generoso Estrela. Através de uma bolsa de estudos concedida pelo Imperador D. Pedro II, ela estudou em Nova Iorque, onde concluiu o curso de graduação em 1879. No mesmo ano, no Brasil, uma reforma no Ensino pelo Decreto nº 7217 de 19 de abril facultou o acesso de mulheres ao Ensino Superior, desde que as aulas fossem ministradas em separado.
A gaúcha Rita Lobato Velho Lopes frequentou, primeiro no Rio de Janeiro, depois na Bahia, a Faculdade de Medicina, até tornar-se a primeira médica formada no Brasil, com a tese “Paralelo entre os métodos preconizados na operação cesariana”, defendida em 1887. Médica notável, foi a primeira mulher eleita vereadora em Rio Pardo, no ano de 1934, pouco depois das mulheres conquistarem o direito ao voto. Seu mandato duraria até 1937, quando foi cassada pelo Estado Novo, de Getúlio Vargas. Atuou também em Jaguarão e Porto Alegre.
Em 100 anos, a presença da mulher na Medicina praticamente dobrou no Brasil. Passou de 22,1% em 1910 para 39,9% em 2010, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) que levam em conta os profissionais da área em atividade. Entre os médicos jovens, no entanto, elas já são maioria: 53,31% do total.
“A mulher funciona muito bem na área da saúde porque temos um olhar mais humanista que favorece bastante a relação médico-paciente. É uma ligação mais olho no olho”, analisa Maria Rita de Assis Brasil, vice-presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS).
De acordo com o estudo A feminização da medicina no Brasil, desenvolvido por Mário César Scheffer e Alex Jones Flores Cassenote, o perfil demográfico da Medicina no País passa por uma transformação histórica que acompanha a progressiva diminuição nas diferenças de gênero, com a remoção de barreiras que impedem as mulheres de ter o mesmo acesso que os homens à educação. Trata-se de “um fenômeno que poderá moldar o futuro da profissão médica, influir no modelo de cuidados de pacientes e na organização do sistema de saúde”, consideram os autores da pesquisa.
Fonte: SIMERS
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