Congressistas e palestrantes debatem sobre soluções, buscam melhorias e propõem a continuidade da luta
Foto: ANMP
Os novos rumos e os embates que impedem a valorização da categoria fecharam o debate da programação do último dia do V Congresso Brasileiro de Perícia Médica Previdenciária. Na palestra que reuniu representantes das entidades parceiras à ANMP, a união na luta pelos direitos dos médicos e as preocupações sobre o futuro da categoria pautaram a discussão sobre o tema “Política Associativa - Novos Rumos”
Para o representante da Federação Nacional dos Médicos, Marlonei dos Santos, o governo trata os trabalhadores da categoria de forma desqualificada, para vulgarizar a profissão, com baixos salários, por exemplo, e, dessa forma, aprovar políticas estratégicas contra o perito profissional. “A terceirização, inclusive, não é novidade para nós, faz parte da política desse governo. A solução é ir para as ruas no dia 15 de março, levantar nossas bandeiras e questionar a baixa remuneração que temos, além de todas as precariedades”, argumentou.
Representando o Conselho Federal de Medicina, Gerson Zafalon confirmou que os novos rumos da ANMP serão dados a partir da vocação e dos objetivos, que sejam, entre eles, representar os peritos médicos ativos e aposentados, defendendo sempre seus direitos, com apoio de iniciativas que visem a melhoria das condições de vida de cada trabalhador. “Concepções antagônicas devem ficar no campo das ideias. Caso a unidade seja quebrada, forças políticas contrárias prevalecerão. Defender sem paternalismo, mas na busca da verdade, com ética”, afirmou Zafalon, que ainda apresentou dados preocupantes para o segmento. Segundo ele, seriam necessários, para suprir o quadro de peritos no Brasil, mais de 8 mil profissionais. Hoje, pouco mais de 4 mil realizam perícias e essas alcançaram o número de 7,5 milhões, em 2013.
Mas a preocupação dos médicos não se restringe aos números. O presidente da AMB, Florentino Cardoso alertou que a formação do profissional de medicina não diz respeito apenas à graduação, mas à assistência e todas as especializações necessárias. “A cada quatro anos, o conhecimento da medicina dobra, segundo estudos. Para que sejamos fortes e respeitados, obrigatório que sejamos bem treinados”. Afirmou, também, que não haverá proteção para quem se desvirtua ou esteja denegrindo a corporação. “Desejamos que sejam punidos severamente e expurgados da categoria, se necessário”, completou.
Já o presidente do FONACATE, Roberto Kupski, destacou a defesa dos princípios constitucionais para o serviço público e, de acordo com ele, uma das principais dificuldades está em convencer os colegas de profissão a fazerem parte de uma entidade representativa. A solução para muitos problemas, para ele, pode estar em política pessoal, criação e manutenção de leis orgânicas, qualificação de chefias, licença remunerada para o exercício de mandato classista e a não privatização das atribuições.
“Em qualquer área o direito de defesa é garantido”, quem garantiu foi a presidente do IBDP. Jane Wilhelm Berwanger esclareceu que essa é atribuição do processo democrático. “O Estado não parece fazer as contas do quanto está pagando pela falta de peritos. Se mais perícias fossem realizadas, levaria menos tempo e não haveria tantos gastos”, disse. Para ela, o problema que afeta a área previdenciária é o funcionamento do SUS. De acordo com Jane, “falta diálogo entre a Previdência e a Saúde”.
Para o assessor parlamentar Napoleão Puente de Salles, o ideal é continuar o trabalho que vem sendo feito com todas as entidades. “No momento, o parlamento, Executivo e Legislativo, estão em desequilíbrio. O Congresso, atualmente, está na seguinte situação: a base virou oposição e a oposição aplaude a base. Mais do que nunca, agora, devemos nos unir”, concluiu.
Com 2 mil cargos vagos na Perícia Previdenciária, a situação permanece preocupante para os profissionais, já que a autarquia não realiza novos concursos e, quando o faz, os candidatos não são atraídos devido ao baixo salário, pressão no ambiente de trabalho, cobranças, metas e precarização. O presidente da ANMP, Jarbas Simas, analisa o fato como tentativa de fragilização da categoria. “A associação vem tentando conquistar espaços maiores e muitos servidores são favoráveis, porém, alguns se mostram contra, como é o caso do próprio governo. Precisamos buscar auxílios e trilhar os caminhos em conjunto. A união é fundamental nesse processo”, finalizou.
Fonte: ANMP - 10/03/2015
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