segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Aumento dos casos de sífilis no Brasil preocupam especialistas

Para médico da Sociedade de Dermatologia do RJ, avanço da doença se deve, em grande parte, ao sexo sem camisinha



Treponema pallidum causadora da sífilis
Treponema pallidum causadora da sífilis Dr. David Cox/Wikipedia/CC
De acordo com um relatório do Ministério da Saúde, houve um crescimento acentuado dos casos de sífilis em gestantes e recém-nascidos desde 2008. A previsão é de mais 22 mil novos casos de sífilis congênita, em 2016, por todo o país.

Em entrevista ao programa Amazônia Brasileira, desta quinta-feira (25), o coordenador da Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro, Márcio Serra, falou sobre a sífilis e o aumento de casos da doença no Brasil.

Segundo o dermatologista, a sífilis é uma doença infecciosa, sexualmente transmissível, resultante da infecção pela espiroqueta microaerofílica Treponema pallidum. Pode causar ulcerações, tanto no homem, quanto na mulher. Em seu estágio mais avançado, a doença pode causar cegueira, insanidade, paralisias, problemas cardíacos e até óbito. Além disso, a sífilis pode aumentar em 3 a 5 vezes a possibilidade de transmissão do HIV.

O que preocupa é o aumento de casos registrados no país. O estado do Rio, com 3.017 casos diagnosticados, foi a região com maior registro no ano passado, seguido por São Paulo, com 2.810. Na comparação entre 2013 e 2014, os outros estados que registraram aumento foram Acre (96,1%), Pernambuco (94,4%), Paraná (63,1%), Tocantins (60%), Bahia (47%), Santa Catarina (34,1%), Distrito Federal (22%), Mato Grosso do Sul (6%), Mato Grosso (4,1%) e Sergipe (3,8%). No Espírito Santo e no Rio Grande do Norte, que têm dados disponíveis só até 2013, o aumento registrado entre 2012 e 2013 foi de, respectivamente, 31% e 31,5%. O estado do Amazonas foi o único que registrou queda do número de casos. Entre 2013 e 2014, as ocorrências diminuíram 20,2%.

O problema de um diagnóstico precoce se dá porque, como a sífilis no estágio inicial, aparece com uma pequena lesão, indolor, em uma região, geralmente, de difícil visibilidade, nem sempre o indivíduo consegue percebê-la. Além disso, nem todos os médicos pedem a sorologia para detectar a sífilis em exames de rotina.

De acordo com o especialista, o avanço da doença se deve, em grande parte, ao sexo sem camisinha. A maioria dos casais que já estão casados, não utilizam a camisinha, e se algum deles contrair a doença fora de casa, consequentemente, o outro também será infectado: “a mulher muitas vezes não tem força de voz, e acaba como a mais prejudicada nisso tudo, pois as vezes os maridos vão junto com a mulher em uma consulta, alegando que a mulher pegou a sífilis em um assento sanitário, pressionando o médico para não revelar a verdade, de que ela pegou a doença em uma relação sexual com o marido”.

Ouça também: Cientistas criam exame para detectar a Sífilis em 15 minutos

A sífilis tem cura e o tratamento é barato, com penicilina, entretanto a falta de penicilina no Brasil, já foi um problema. Em relação a sífilis congênita, que é a transmissão da doença de mãe para filho, o especialista explica que o cuidado maior deve ser com a gestante, ou seja, tratar a gestante antes para que a criança não nasça com a doença. Caso o recém-nascido nasça com a doença, ele pode vir com má formação, até vir ao óbito. Sendo assim, o ideal é um bom pré-natal.

Márcio Serra dá dicas para se prevenir contra a doença: “a melhor forma de prevenção é o uso do preservativo, inclusive no sexo oral. Uma dica para as mulheres é colocar a camisinha nos homens para fazer o sexo oral, e para os homens é colocar a camisinha feminina ou cortar uma camisinha masculina e utilizá-la para cobrir a vagina e evitar que a língua entre em contato direto com a mucosa vaginal, ou até mesmo utilizar papel filme, na falta dela”.

Aumento dos casos de sífilis no Brasil preocupam especialistas
Ouça a entrevista na íntegra no link acima e entenda melhor sobre a sífilis.

Amazônia Brasileira vai ao ar de segunda a sexta, às 8h, na Rádio Nacional da Amazônia, e às 6h, na Rádio Nacional do Alto Solimões (horário local). A apresentação de Sula Sevillis e a produção-executiva de Taiana Borges.

Fonte: Rádio Nacional da Amazônia

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