terça-feira, 5 de março de 2013

Em protesto pela prisão de colegas, anestesistas cancelam 200 cirurgias no Evangélico em Curitiba

Matéria do Portal UOL.

O Hospital Evangélico, segundo maior de Curitiba, deixou de realizar 200 cirurgias desde o último dia 25 por conta de uma "operação padrão" realizada por médicos anestesistas, informou nesta segunda-feira (4) o superintendente da Saúde da instituição, o médico Rogério Kampa.

Por conta da prisão de três deles pela polícia, por suspeita de participar da "antecipação de mortes" na UTI (unidade de terapia intensiva) do Evangélico, em 23 de fevereiro, os anestesistas decidiram trabalhar apenas em cirurgias de emergência.

"Eles entraram numa operação padrão, em solidariedade aos colegas [presos]", relatou Kampa. "Já trabalhávamos com uma equipe enxuta, na qual agora faltam profissionais. Estamos providenciando novos anestesistas, e amanhã [terça, 5] devemos estar com o quadro normalizado."

O diretor do setor de Cancerologia do Evangélico, o João Carlos Simões, informou que a direção do hospital comunicou "extraoficialmente", já na semana passada, "que ficariam suspensas as cirurgias eletivas por falta de anestesistas".

"Apenas na Cancerologia, fazemos 100 eletivas por mês. Mas, desde a semana, não conseguimos operar a lista de pacientes agendados. Hoje, enviei manifesto [à direção], preocupado com a situação dessas pessoas, que tivemos de remarcar cirurgias. Pedi para que buscassem anestesistas para que pudéssemos operar pelo menos os casos mais graves", afirmou Simões.

A reportagem procurou a SPA (Sociedade Paranaense de Anestesiologia), mas nenhum diretor estava na entidade nesta segunda à tarde nem respondeu aos pedidos de entrevista até o fechamento deste texto, às 18h.

Segundo o funcionário que atendeu ao UOL, a SPA não fora comunicada da "operação-padrão" – a entidade tinha a informação de que a equipe de anestesistas do Evangélico estava "em negociação com o hospital".

Em nota publicada no último dia 28, a SBA (Sociedade Brasileira de Anestesiologia) manifestou "repúdio à forma com que os médicos anestesiologistas Anderson de Freitas, Edison Anselmo da Silva Júnior e Maria Israela Cortez Boccato foram e estão sendo expostos perante a opinião pública pelos órgãos de imprensa. A grande mídia apressadamente já julgou e condenou com sensacionalismo estes profissionais, antes mesmo de ouvi-los ou destes terem apresentado devidamente sua defesa."

"Até o momento, as informações disponíveis apontam que esses médicos estão apenas sendo investigados pela polícia e que o caso ainda não foi analisado por um Juiz de Direito. A diretoria do Hospital Evangélico e o CRM/PR (Conselho Regional de Medicina do Paraná) informaram publicamente que jamais receberam qualquer denúncia de colegas ou pacientes em relação a tais profissionais. A SBA aproveita a oportunidade para também declarar que nunca recebeu acusação alguma quanto à conduta destes médicos", prosseguiu o texto.

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