segunda-feira, 4 de março de 2013

Hospitais universitários do PR enfrentam problemas crônicos

Matéria do Jornal Gazeta do Povo

Os três hospitais universitários (HUs) estaduais do Paraná, com capacidade total para 645 leitos, têm operado de maneira precária pela falta de pessoal e investimentos em infraestrutura. Entre os problemas encontrados nos HUs de Londrina, Maringá e Cascavel estão a escassez de leitos de UTI, salas de cirurgias fechadas, leitos desativados, superlotação de prontos-socorros (PS), déficit orçamentário e de recursos humanos. Situação se­­melhante é enfrentada pelo Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde 150 dos 550 leitos (27%) estão desativados por falta de funcionários que viabilizem o atendimento de pacientes.

Levantamento feito pela Gazeta do Povo mostra que as piores situações são encontradas em Londrina e Maringá, no Norte do estado, onde as dificuldades com superlotação e falta de pessoal se arrastam há anos.

Com escassez de leitos e equipamentos, o Hospital Uni­­versitário de Maringá (HUM) chegou a cogitar o fechamento provisório, há um ano, após o término do contrato temporário de 141 servidores. Os problemas frequentes culminaram, em agosto do ano passado, no pedido de exoneração feito pelo então superintendente, José Carlos Amador. Segundo ele, o hospital passava por um momento delicado e necessitava de ampliação urgente. No ano passado, o HUM anunciou que o prédio passará dos atuais 9,7 mil metros quadrados para 27,8 mil metros quadrados, o que deve elevar a capacidade de 123 para 300 leitos. A conclusão da obra, porém, está prevista apenas para 2020.

Pronta, mas sem uso

Em Londrina, onde o HU enfrenta déficit diário de pelo menos 13 leitos de UTI, uma ala com dez leitos de terapia intensiva está pronta e fechada desde maio de 2012, em decorrência de problemas na contratação de 70 funcionários. Segundo a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a documentação foi encaminhada à Casa Civil na semana passada, e a elaboração de um decreto é aguardada. “Até o início de março, os funcionários, já concursados, serão nomeados”, afirma o assessor técnico do gabinete da Seti, Aroldo Messias.

Apesar da declaração, a superintendente do HU, Mar­­ga­­rida Carvalho, disse desconhecer que um concurso tenha si­­do realizado. “Esperamos o setor de Recursos Humanos do governo do estado para a contratação, por meio de concurso, ou seleção simplificada, por tempo delimitado.”

De acordo com a Seti, Lon­­drina é a única cidade cujo HU tem pendências. Segundo Aroldo Messias, a situação de Cascavel é “tranquila”. “Ma­­ringá está ampliando o hospital, mas ainda não existe previsão de contratação. Já existe uma solicitação de pessoal, que será autorizada assim que a obra for concluída”, disse Messias.

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