quinta-feira, 17 de julho de 2014

Uma vela na escuridão - 2


O presidente da FENAM faz a defesa dos médicos contra o obscurantismo 

                                          Foto: André Lima 


Há momentos em que as trevas caem sobre a política, e a liberdade, a consciência, a livre iniciativa , a própria sobrevivência do indivíduo como pessoa fica comprometida, tendo de submeter-se à lógica do pensamento único, dos que se julgam de alguma forma portadores do monopólio da verdade. 

Se ela é falsa, pouco interessa, há mecanismos que o poder pode lançar mão para subornar, subverter, aliciar, comprar, impor sua visão de mundo sobre os outros.

Está em curso no Brasil uma tentativa de silenciar e desmoralizar a classe médica. 

Por ser independente, culta, crítica, analítica, cidadã, por prezar a liberdade, o mérito, a livre concorrência e a livre iniciativa, filhas do livre arbítrio, por defender os direitos dos esquecidos da saúde, por denunciar os crimes a que são submetidos diariamente os que buscam atendimento público e vêem seus direitos violados pelos baixos investimentos, gestão precária, desvios de recursos, corrupção, que jogaram na lona a assistência à saúde dos brasileiros, a categoria foi agredida, violada. Mudou-se regras de sua formação, estimulou-se conflitos com os pacientes, importou-se profissionais sem qualificação, fatiou-se o ato médico, distribuindo-se mercado e alimentando-se divisões e intrigas, onde nunca existiram.
 
Então cuidou-se de demonizar a figura do médico, denunciá-lo como sem compromisso com os pobres, interesseiro, vendido às empresas de materiais, perdulário, preguiçoso. E instrumentalizou-se uma legião de inocentes úteis, que identificando o médico na linha de frente, o responsabiliza pelas mesmas mazelas que o médico diariamente denuncia e por isso é odiado e combatido pelo governo.

Os médicos estão inquietos. Depois do pesadelo em que se pretendeu transformar a nossa profissão, temos pela frente, ( abalados, mas não vencidos pela tempestade ), o debate político das eleições 2014, que elegerá governadores, parlamentares estaduais e federais e principalmente presidente da república, de onde tem emanado o conflito contra nossa categoria.

Reflexões profundas se impõem sobre nosso papel nessa eleição e na definição de País que queremos. A qualidade da Saúde pública não reflete apenas uma política de governo. Segurança, Educação e Saúde refletem em essência o caráter do governo que temos e seus compromissos com a sociedade, com o País, com o futuro que queremos construir de justiça, igualdade de oportunidades ( não privilégios de minorias ) , fraternidade e paz.

Nesse contexto, agora dá para incluir a tentativa de dividir a FENAM, implementada por um grupo com vinculação e raízes profundas no partido do governo. Esquecidos dos médicos, por quem na verdade nunca lutaram, buscaram e buscam agora enfraquecer a Federação por identificá-la como um reduto em defesa dos médicos, a quem o governo, que defendem e servem, afronta e tenta destruir. Não vão conseguir.

 A Fenam é forte e, como nos livramos do obscurantismo interno que na gestão anterior  nos aprisionava ao peleguismo, à subserviência, ao aparelhamento partidário, ao servilismo e à velhacaria de fingir defender o médico, a quem traía despudoradamente, também vamos vencer, junto com a sociedade, da qual somos parte viva e ativa, o obscurantismo político que se abateu sobre o país.

A luta dos médicos é como a chama de uma vela acesa na escuridão. A chama dos que entendem que é preciso resistir na luta e que o sonho de um país melhor não pode acabar jamais.

Fonte: Geraldo Ferreira - Presidente da FENAM e Sinmed/RN 

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