quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Into registra aumento de 53% em transplantes de ossos no país

Hospitais de dez estados, cadastrados no Sistema Nacional de Transplante, receberam enxertos ósseos do Banco de Tecidos do Rio de Janeiro
Principal centro de captação de tecidos musculoesqueléticos do país, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), no Rio de Janeiro, registrou o aumento de 53% no número de transplantes de ossos realizados de janeiro a agosto deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 17 captações que possibilitaram a realização de 292 cirurgias ortopédicas e odontológicas em dez estados, para correção de falhas ósseas, devido doenças como artrose e câncer, além de fraturas que necessitam da utilização de enxertos.
O Banco de Tecidos do Into transportou, por meio de avião, enxertos ósseos para atender às solicitações de 39 hospitais cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes.  Foram disponibilizados, ao todo, 459 enxertos para o Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.  Do total, 81% foram utilizados em cirurgias no Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.
Nesta semana, quando comemora-se o Dia Nacional de Doações de Órgãos (27/09), o ortopedista chefe do Banco de Tecidos, Rafael Prinz, avalia que as captações estão crescendo a cada ano. “Fizemos 17 captações até agosto, aumento de 21% em relação a 2013. Esse resultado positivo se deve ao empenho das diversas equipes. De maneira ativa, os profissionais do Into se deslocam a vários hospitais para avaliar possíveis doadores, trabalhando em conjunto com integrantes das comissões intra-hospitalares e das Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) para viabilizar as doações”.  
Um doador de ossos pode beneficiar cerca de 30 pessoas. Há cirurgias em que é necessário um pequeno fragmento para reconstruir uma lesão ou até a substituição de um osso inteiro, como o fêmur, a tíbia e o úmero, para evitar a amputação de membros de pacientes com câncer ósseo.  O médico Rafael Prinz lembra ainda que a vontade de ser doador de órgãos deve ser comunicada em vida. “É importante a conversa entre os familiares. No momento da captação, as famílias são orientadas, mas há muita resistência. A recusa é grande devido ao desconhecimento sobre os benefícios desse gesto para a vida dos doentes”, destacou Rafael.
CÓRNEAS
Desde setembro de 2013, o Into também faz a captação de córneas no Rio de Janeiro, utilizando a mesma estrutura existente no Banco de Tecidos e a coordenação de dois oftalmologistas. Em um ano de funcionamento, foram feitas 149 captações no município do Rio de Janeiro somente pela equipe do Into. O serviço é uma parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, com o objetivo de melhorar a posição do Estado em transplantes de córneas. O governo do estado mantém mais um banco de olhos, que funciona desde 2010  no município de Volta Redonda, na Região Sul Fluminense.
PROCESSO DE CAPTAÇÃO
Criado em 2002, o Banco de Tecidos do Into é responsável pela captação, processamento e distribuição de ossos, tendões e meniscos, além de córneas, para utilização em cirurgias de transplantes nas áreas de ortopedia, odontologia e oftalmologia. O Banco funciona 24 horas e conta com 45 profissionais, entre médicos ortopedistas e oftalmologistas, enfermeiros, assistentes sociais, biólogos e auxiliares de enfermagem.
São captados do doador, após comprovada morte encefálica, o fêmur inteiro, a tíbia, o úmero, parte da crista ilíaca (quadril), entre outros. Os ossos dos membros inferiores e superiores são substituídos por material sintético, mantendo a forma e a aparência do doador preservada. O processamento é realizado em uma área com rigoroso controle de qualidade. Os resultados dos exames vão determinar a aprovação ou não para o transplante.
Após liberação para uso, os tecidos atendem a cirurgias realizadas no próprio Instituto e em outros hospitais cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes. Somente o médico ou o cirurgião-dentista responsável pelo paciente pode solicitar enxertos ao banco. O enxerto ósseo disponibilizado é totalmente gratuito, sendo financiado pelo Ministério da Saúde.
QUEM PODE DOAR?
  • Os potenciais doadores devem expressar, em vida, sua vontade de doar ossos e comunicar à família. 
  • O tecido é retirado quando é comprovada a morte encefálica do doador, ou do doador vivo, quando submetido à cirurgia para colocação de prótese de quadril, na qual é retirada a cabeça femoral.
  • Pessoas com idade entre 10 e 70 anos, que não tenham sido vítimas de câncer ósseo, osteoporose ou doenças infecciosas transmitidas por meio do sangue (como hepatite, AIDS, malária).
 Fonte: Agência Saúde

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