
Foto: SindMédico-DF
Em outubro de 2013, foram atendidos 6.021 pacientes no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Neste mês, até o dia 28, foram atendidos 8.810. Isso representa um incremento de 46% na quantidade de atendimento. A equipe médica, no entanto, não aumentou. Na verdade, de 2011 até hoje, 12 pediatras se aposentaram. Hoje eles são 45 efetivos e 11 temporários atuando em todas as áreas do hospital, incluídos os setores de neonatologia e UTI pediátrica. São necessários mais 24 pediatras na emergência e na pediatria para que o hospital funcione normalmente todos os dias da semana.
Há três anos, antes das crises nos hospitais regionais de Santa Maria e do Gama, que determinaram restrições no atendimento à população, a equipe da pediatria do hospital alertam a administração da unidade de saúde e a própria Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) que o atendimento no HMIB caminha para o colapso.
Se os médicos que atuam na emergência e na enfermaria pediátrica do hospital deixem de trabalhar extensas jornadas de horas extras, o colapso tem data marcada para começar: 1º de novembro. E é essa a disposição dos pediatras, caso a Secretaria de Saúde não tome medidas urgentes para aumentar o número de profissionais nos plantões.
Para evitar dano à população, médicos e o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), realizaram uma reunião da qual participaram o diretor do HMIB, João Vilela, o subsecretário de Atenção à Saúde, Roberto Bittencourt; a coordenadora de pediatria da SES/DF, Carmem Lívia Martins; o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM/DF), Jairo Martinez Zapata; e o promotor de Justiça dos Direitos da Saúde, Jairo Bisol.
Depois de uma reunião tensa, que durou das 19h30 às 22h, os pediatras que atuam na emergência e na enfermaria pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), se dispuseram a aceitar proposta da Secretaria de Saúde do DF, de reforçar (em caráter emergencial) a escala de plantão com 12 pediatras relocados de outras unidades até que seja tomada medida efetiva para complementação das escalas de plantão do HMIB.
São necessários pelo menos 24 médicos com carga horária de 20 horas semanais para preencher os plantões. Se a Secretaria de Saúde cumprir sua parte no acordo, os médicos que já atuam na unidade vão cobrir a deficiência de pessoal trabalhando horas extras. Há três anos a unidade só continua funcionando diariamente porque eles têm trabalhado horas extras.
O acordo também prevê que seja oferecida segurança policial durante os plantões, em função do elevado número de agressões e depredações que têm ocorrido.
Se o governo não cumprir o acordo, os médicos cessarão a prestação de horas extras. Com a quantidade atual de horas de trabalho de pediatras, para um atendimento com equipe mínima que o fluxo mínimo de pacientes na fila de espera e o cuidado com as crianças internadas o pronto socorro do HMIB só abriria um dia por semana.
“O que todos reconheceram na reunião é que a atual situação da emergência pediátrica do HMIB é insustentável e que, se não for tomada medida urgente – até sexta-feira – o funcionamento do hospital e de todo o atendimento pediátrico no Distrito Federal entra em colapso”, afirma o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho. “Os médicos não vão parar de atender, mas vão deixar de fazer as horas extras que têm feito há anos. Eles é que têm mantido as portas do hospital abertas com alto custo pessoal”, enfatiza.
OMISSÃO PROVOCA REVOLTA
O subsecretário de Atenção à Saúde, Roberto Bittencourt, ouviu o desabafo de boa parte da equipe. Segundo a equipe, os gestores da saúde foram omissos, pois há três anos eles denunciam a grave situação da pediatria no HMIB.
As propostas de Bittencourt de desviar pacientes classificados como menos graves (verdes) para centros de saúde e que se melhorasse a regulação de leitos pediátricos, com facilitação para transferência de pacientes internados para os hospitais regionais de Taguatinga e Santa Maria foram descartados de imediato pelos médicos.
No primeiro caso, destacaram que os pacientes vão para o HIMB porque já não encontraram atendimento em outra unidade de saúde, ou porque são provenientes de cidades do entorno. Tentar redirecioná-los para qualquer outra unidade é acender um curto estopim que tem explodido em violência e depredação.
A transferência de pacientes internados para outras unidades não resolve o problema da falta de pessoal para atender a fila e, além de tudo, só se transferem pacientes estabilizados – os médicos já teriam sido obrigados a parar de atender os que chegam para cuidar das urgências, cujo nível de complexidade e tempo para estabilização são imprevisíveis.
O promotor Jairo Bisol destacou que não há solução simples ou rápida para o drama que se desenrola no HMIB e outras unidades de saúde do DF. Ele aconselhou o dialogo com a equipe de transição do governador eleito Rodrigo Rollemberg, para que soluções duradouras sejam alinhavadas desde já, pois o atual governo herdou uma situação caótica que não conseguiu resolver.
O governo que assume em 1º de janeiro de 2015 assumirá com déficit de caixa e precisará fazer malabarismos para, em pouco tempo, contratar um número suficiente de médicos e outros profissionais da saúde aprovados no concurso realizado em setembro para evitar um iminente colapso. 29/10/2014
Fonte: SindMédico-DF
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