
Foto: Blogsport
Conforme noticiou o Jornal de Brasília, um estudo sobre
afastamentos por motivos de saúde no serviço público trouxe dados reveladores
em relação ao perfil dos servidores do Governo do Distrito Federal (GDF). De
acordo com a pesquisa, 48% dos profissionais se afastaram do trabalho, por uma
ou mais vezes, no período de um ano. O setor com índices mais altos de absenteísmo é a Educação, com 58%, seguido da
Saúde, com 48%, e da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, com
47%. As faltas afetam cerca de 30% da folha de pagamento do GDF e representam um gasto anual de R$ 426
milhões aos cofres públicos, colocando o
DF ao primeiro lugar no ranking de afastamentos.
A subsecretária de Saúde, Segurança e Previdência dos
Servidores do DF, Luciane Kozicz, é uma das coordenadoras do estudo. A pesquisa
foi feita entre 2011 e 2012, em nove
unidades da federação, incluindo o DF, por meio da análise de prontuários e dos
Cadastro de Pessoa Física (CPF) dos empregados. “O trabalho visa verificar os
motivos que levam os funcionários públicos, que seguem o regime estatutário, a
adoecerem, além de classificar as doenças mais comuns, o tempo de afastamento e
o impacto financeiro causado pelas licenças”, explica.
Segundo ela, o motivo mais frequente é a Classificação
Internacional de Doença (CID) do tipo F, relacionada a transtornos mentais e
comportamentais, seguida da CID M, relativa a doenças musculares como tendinite
e a Lesão por Esforço Repetitivo (LER). “Essa é uma tendência mundial, ligada à
desmistificação das doenças mentais e à percepção de que um servidor doente
afeta todo o sistema, desde o órgão onde trabalha até o cidadão que utiliza os
serviços”, analisa.
Saúde recebeu 30 mil
atestados, em 2014
De acordo com o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal
(Sindimédicos), a informação de que foram apresentados 30 mil atestados somente
neste ano, divulgada pela Secretaria de Saúde, diz respeito a todas as
carreiras existentes no setor. Entre os profissionais que se encaixam nos dados
estão gestores, agentes administrativos, médicos, enfermeiros, técnicos e
auxiliares de enfermagem, técnicos em radiologia, dentistas, fisioterapeutas e
psicólogos.
O Sindimédicos confirma que há um déficit de profissionais
em todas as carreiras da área de Saúde, o que contribui para o aumento da
cobrança, do estresse e da ocorrência de doenças, especialmente as de fundo psicológico ou emocional. “Isso pode
levar o profissional ao afastamento temporário da atividade laboral. Não é raro
que exista a imposição de restrições para a atuação profissional”, alerta
Pressão
O sindicato enfatiza que a pressão sobre os profissionais
que atuam na linha de frente, como o atendimento ao público, por exemplo, é
consideravelmente maior ou de natureza mais grave, do que a que sofrem os
servidores administrativos.
De acordo com a entidade, se não houver melhoria nas
condições de trabalho, a tendência é de que os casos de doenças entre os
servidores sejam cada vez mais frequentes - tanto pelo aumento do estresse
quanto pelo envelhecimento dos trabalhadores.
“Há anos o sindicato denuncia a insuficiência do número de
médicos e pede melhores condições de trabalho. As escalas de plantão hoje em
dia só fecham, quando fecham, se esses profissionais se dispõem a fazer hora
extra. É essa insuficiência que cria toda a confusão que se vê nos prontos
socorros”. afirma.
Segundo o sindicato, um acordo firmado com o Governo do
Distrito Federal, em 2013, para a reformulação da carreira médica prevê a
adequação dos salários. O objetivo é
atrair novos profissionais e estimular a vontade de permanecer no setor
público
Nível de estresse é
alto
Um funcionário da Secretaria de Saúde, que preferiu não se
identificar, trabalha há 20 anos em hospitais e confirma o elevado nível de
estresse que atinge os servidores do setor. Segundo ele, a estrutura da
carreira é um agravante.
“Trabalhar na área de Saúde, especialmente em hospitais, é
muito estressante. Falta gente interessada e a rotatividade é alta. Os salários
e as condições de trabalho ruins propiciam a ocorrência de problemas
psicológicos, que têm sido muito frequentes”, salienta.
De acordo com a técnica administrativa da Secretaria de
Saúde Luciana Costa, 31 anos, apesar de não haver muitos funcionários afastados
no setor em que trabalha, é nítida a escassez de servidores no setor. “Quando
algum funcionário falta, dificilmente é substituído, os outros é que o cobrem.
Neste caso, também não ocorre o pagamento de horas extras”, alega.
Sobrecarga
Na opinião da paciente Mayara Medova, 21 anos, que esperava
atendimento na emergência do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), o
afastamento de alguns profissionais e a sobrecarga de outros interferem
diretamente na qualidade do serviço prestado à população.
“Eles deveriam ser imediatamente substituídos, mas sabemos
que não é assim que funciona”, acredita. Para ela, o problema afeta o estado psicológico dos poucos médicos que
estão trabalhando. “Com isso, o hospital lota e os funcionários que estão
atendendo ficam estressados, cansados, nos atendem mal e podem até ficar
doentes”, conclui.
Fonte: Jornal de Brasília
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