quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

DF: 1º lugar no ranking nacional de atestados médicos


Foto: Blogsport 

Conforme noticiou o Jornal de Brasília, um estudo sobre afastamentos por motivos de saúde no serviço público trouxe dados reveladores em relação ao perfil dos servidores do Governo do Distrito Federal (GDF). De acordo com a pesquisa, 48% dos profissionais se afastaram do trabalho, por uma ou mais vezes, no período de um ano. O setor com índices mais altos de  absenteísmo é a Educação, com 58%, seguido da Saúde, com 48%, e da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, com 47%. As faltas afetam cerca de 30% da folha de pagamento do GDF  e representam um gasto anual de R$ 426 milhões aos cofres públicos, colocando  o DF ao primeiro lugar no ranking de afastamentos.

A subsecretária de Saúde, Segurança e Previdência dos Servidores do DF, Luciane Kozicz, é uma das coordenadoras do estudo. A pesquisa foi feita entre  2011 e 2012, em nove unidades da federação, incluindo o DF, por meio da análise de prontuários e dos Cadastro de Pessoa Física (CPF) dos empregados. “O trabalho visa verificar os motivos que levam os funcionários públicos, que seguem o regime estatutário, a adoecerem, além de classificar as doenças mais comuns, o tempo de afastamento e o impacto financeiro causado pelas licenças”, explica.

Segundo ela, o motivo mais frequente é a Classificação Internacional de Doença (CID) do tipo F, relacionada a transtornos mentais e comportamentais, seguida da CID M, relativa a doenças musculares como tendinite e a Lesão por Esforço Repetitivo (LER). “Essa é uma tendência mundial, ligada à desmistificação das doenças mentais e à percepção de que um servidor doente afeta todo o sistema, desde o órgão onde trabalha até o cidadão que utiliza os serviços”, analisa.

Saúde recebeu 30 mil atestados, em 2014
De acordo com o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (Sindimédicos), a informação de que foram apresentados 30 mil atestados somente neste ano, divulgada pela Secretaria de Saúde, diz respeito a todas as carreiras existentes no setor. Entre os profissionais que se encaixam nos dados estão gestores, agentes administrativos, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, técnicos em radiologia, dentistas, fisioterapeutas e psicólogos.

O Sindimédicos confirma que há um déficit de profissionais em todas as carreiras da área de Saúde, o que contribui para o aumento da cobrança, do estresse e da ocorrência de doenças, especialmente as de  fundo psicológico ou emocional. “Isso pode levar o profissional ao afastamento temporário da atividade laboral. Não é raro que exista a imposição de restrições para a atuação profissional”, alerta

Pressão
O sindicato enfatiza que a pressão sobre os profissionais que atuam na linha de frente, como o atendimento ao público, por exemplo, é consideravelmente maior ou de natureza mais grave, do que a que sofrem os servidores administrativos. 

De acordo com a entidade, se não houver melhoria nas condições de trabalho, a tendência é de que os casos de doenças entre os servidores sejam cada vez mais frequentes - tanto pelo aumento do estresse quanto pelo envelhecimento dos trabalhadores.

“Há anos o sindicato denuncia a insuficiência do número de médicos e pede melhores condições de trabalho. As escalas de plantão hoje em dia só fecham, quando fecham, se esses profissionais se dispõem a fazer hora extra. É essa insuficiência que cria toda a confusão que se vê nos prontos socorros”. afirma.

Segundo o sindicato, um acordo firmado com o Governo do Distrito Federal, em 2013, para a reformulação da carreira médica prevê a adequação dos salários. O objetivo é  atrair novos profissionais e estimular a vontade de permanecer no setor público

Nível de estresse é alto
Um funcionário da Secretaria de Saúde, que preferiu não se identificar, trabalha há 20 anos em hospitais e confirma o elevado nível de estresse que atinge os servidores do setor. Segundo ele, a estrutura da carreira é um agravante.

“Trabalhar na área de Saúde, especialmente em hospitais, é muito estressante. Falta gente interessada e a rotatividade é alta. Os salários e as condições de trabalho ruins propiciam a ocorrência de problemas psicológicos, que têm sido muito frequentes”, salienta.

De acordo com a técnica administrativa da Secretaria de Saúde Luciana Costa, 31 anos, apesar de não haver muitos funcionários afastados no setor em que trabalha, é nítida a escassez de servidores no setor. “Quando algum funcionário falta, dificilmente é substituído, os outros é que o cobrem. Neste caso, também não ocorre o pagamento de horas extras”, alega.

Sobrecarga
Na opinião da paciente Mayara Medova, 21 anos, que esperava atendimento na emergência do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), o afastamento de alguns profissionais e a sobrecarga de outros interferem diretamente na qualidade do serviço prestado à população.

“Eles deveriam ser imediatamente substituídos, mas sabemos que não é assim que funciona”, acredita. Para ela, o problema afeta  o estado psicológico dos poucos médicos que estão trabalhando. “Com isso, o hospital lota e os funcionários que estão atendendo ficam estressados, cansados, nos atendem mal e podem até ficar doentes”, conclui.


Fonte: Jornal de Brasília

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