quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Pacientes de CAPS têm aula de fotografia em exposição de Sebastião Salgado


Uma nova perspectiva de olhar sobre a própria realidade. Este é o principal objetivo do projeto Re-tratos, desenvolvido com um curso de fotografia oferecido a pacientes dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) Cajuru e Portão, que tratam dependentes de álcool de drogas.
Realizado pelo Departamento de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde, o curso tem cunho terapêutico e conta com aulas teóricas e práticas. Na oficina desta terça-feira (02), a aula prática foi realizada no Museu Oscar Niemeyer (MON), com uma visita guiada e apreciação da exposição do renomado fotógrafo Sebastião Salgado.
A auxiliar de limpeza J.S, usuária de crack, iniciou o tratamento no Caps Portão em maio deste ano. Após morar por dois anos nas ruas de Curitiba e engravidar, a possibilidade de perder a guarda da criança a fez procurar uma unidade de saúde, que a encaminhou para o Caps. “Com o Re-tratos eu sonho mais, penso mais. Semana passada estava trabalhando na limpeza da parte externa aqui do Museu, hoje vou entrar e ver a exposição de um grande fotógrafo. A fotografia sempre passa uma emoção pra gente, e é a maneira como me sinto que tento retratar nessas fotos”, conta.
O sociólogo N.M, frequenta o Caps para manutenção da sua reabilitação e realiza trabalhos voluntários. Ex- proprietário de uma produtora de vídeo, ele conta que, apesar de ter noções de fotografia, encontra motivação para participar no fato de estar junto a um grupo muito heterogêneo, com diferentes histórias e realidades. Para N.M, o curso permite aos participantes sair do isolamento. “Tudo o que te dá prazer em sair de casa, te faz bem. O bem atrai o bem e isto nos dá um ânimo novo”.
Projeto
O projeto tem parceria do Ministério da Saúde, que está custeando os equipamentos e o pagamento dos profissionais que ministram a oficina. No fim das aulas práticas, os pacientes farão uma exposição de fotos, que será realizada nos Caps, Ruas da Cidadania, Centros Pop e praças. O valor recebido do governo federal para a iniciativa é de R$ 30 mil.
O professor Douglas Fróis, que ministra a oficina, ressalta que cada passeio para tirar fotografias externas traz novas questões que são debatidas posteriormente. “Esses dias fomos no Largo da Ordem para fotografar e era perceptível o incômodo que eles sentiam por estar tão perto de bares e locais que poderiam propiciar uma recaída. Depois do passeio debatemos sobre esses sentimentos e na segunda visita ao mesmo local eles já estavam diferentes”.
“Por causa do crack fiquei quatro meses na rua e há dois voltei ao tratamento no Caps. Uma das psicólogas de lá que me indicou participar desta oficina. Com o tratamento, estou resgatando sonhos antigos, que estavam guardados antes de eu começar a me drogar”, frisa F.G.
Fonte: SMCS - 02/12/2014 

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