
Foto: FENAM
O presidente do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed) e da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira, concedeu entrevista ao jornalista José Pinto Júnior para o programa Conexão Potiguar. Falou sobre as lutas e conquistas da categoria médica no RN e a nível nacional. Confira:
Qual o balanço que o senhor faz da atuação do Sinmed-RN neste ano de 2014?
Em relação ao Simed, nós fixamos o valor da contribuição sindical, tivemos dois momentos importantes para o Sindicato: um foi a negociação com o Governo do Estado, foram 3 anos de dificuldades com o governo Rosalba mas nesse último ano houve um empenho da categoria e uma abertura maior para negociar parceladamente. E nós conseguimos fechar um acordo até 2018. Foi uma grande conquista para a categoria médica do Estado, nós vamos chegar ao final de 2018 com um salário de aposentadoria razoável, não tanto quanto a categoria gostaria, mas a gente conseguiu um avanço na linha salarial. No município nós tivemos também um ano de muitas negociações, mas não avançamos. Queríamos um modelo parecido com o que nós negociamos com o Estado, onde houvesse aumentos parcelados e evidentemente condições de trabalho, contratação de profissionais e um maior cuidado com a infraestrutura, ou seja , hospitais, clínicas , e postos de saúde onde a população é atendida.
E na Federação Nacional?
E na Federação Nacional?
Na Federação nós tivemos ainda os rescaldos de 2013. Com o Programa Mais Médicos houve um confronto entre a categoria e o governo federal. é importante esclarecer que o confronto não foi contra trazer médicos do exterior, mas se tratou do modelo de se trazer médicos sem a revalidação, o que coloca a população em risco. Então houve uma grande dificuldade de relacionamento com o Governo Federal, que desembocou 2014 numa participação política muito efetiva dos médicos, que se posicionaram contra o Governo Federal, tomaram partido de oposição e hoje estão muito motivados a continuar sua luta em busca de uma saúde mais adequada, mais digna e aperfeiçoamento desses programas de governo.
Os médicos tendem a ir mais ao encontro dos tucanos, representados na última eleição por Aécio Neves, ou poderão participar de um partido novo? Já existe algum debate neste sentido?
Os médicos tendem a ir mais ao encontro dos tucanos, representados na última eleição por Aécio Neves, ou poderão participar de um partido novo? Já existe algum debate neste sentido?
O que eu consegui apreender da luta dos médicos foi uma tomada de posição de caráter ideológico. Por exemplo, liberalismo, capitalismo, democracia, e livre iniciativa. Uma posição muito firme contra privilégios, contra “discriminação positiva” como chama o governo. Os médicos se mostram contrários a esse tipo de comportamento, são a favor de escolas de qualidade para todos, e que os coloquem em condição de competitividade e não privilegiar determinadas categorias. Então essa é uma posição ideológica, que muitos chamariam de centro, ou centro-direita. Mas ficou visível no processo eleitoral, os médicos apesar de um intenso compromisso social, entendem que melhorar a vida dos pobres, da população, significa investir na democracia, no liberalismo e no capitalismo.
Esse posicionamento é algo já definido?
Esse posicionamento é algo já definido?
Eu vejo que isso é majoritário talvez num percentual acima de 80%. Claro que temos médicos militantes de vários partidos. Nós temos em várias esferas, militantes de partidos mais a esquerda. Mas na movimentação de rede social, de reuniões, participação de grupos de discussão a gente vê que a maioria dos médicos se inclinou nessa posição. Tanto que evidentemente nós como lideranças de instituições temos a obrigação também de dizer a categoria que nós temos a obrigação de negociar com os governos. Nós não somos partido político, nós somos instituições de defesa da categoria e da sociedade, ou seja, apresentar propostas e soluções que melhorem o atendimento a ajude a população. Institucionalmente, nós temos a obrigação de negociar com o governo.
Essa participação política da categoria vai ser mais efetiva nas épocas de eleições?
Essa participação política da categoria vai ser mais efetiva nas épocas de eleições?
Perfeitamente, embora hoje os médicos estejam em efervescência ainda, ou seja, passou o processo eleitoral e os médicos continuam na linha de frente dessas passeatas e protestos contra a corrupção em todo país. E aqui no RN é nosso pensamento também nos associarmos a outras categorias para fazermos uma campanha intensa contra a corrupção, porque esse cupim que está devorando o país precisa de um freio, senão esse país do futuro vai virar um país sem futuro.
Em toda legislação, todas as mudanças que venham a acontecer, são definidas por normas que são votadas pelos nossos representantes no Congresso Nacional, seja no Senado ou na Câmara. Como a categoria atua em relação a isso?
Em toda legislação, todas as mudanças que venham a acontecer, são definidas por normas que são votadas pelos nossos representantes no Congresso Nacional, seja no Senado ou na Câmara. Como a categoria atua em relação a isso?
Nós temos uma Comissão de Assuntos Parlamentares que é talvez uma das mais importantes, que junto com a Comissão de Condições de Trabalho e a Comissão de Saúde Suplementar, é fundamental. Ela se reúne uma vez por mês com o assessor parlamentar que temos no congresso, para ter acesso a todos os projetos que dizem respeito a saúde que deram entrada no congresso. e a partir dali são distribuídas em comissões ou em relatorias. A Comissão de Assuntos Parlamentares faz um balanço e dá um parecer e a partir daí motiva a diretoria a intervir. há quatro focos importantíssimos hoje na Saúde Pública que exigem ações imediatas. Uma é a área de psiquiatria, nós temos uma quantidade de dependentes e usuários de droga estarrecedora e é preciso uma ação efetiva do governo. Nós temos a questão do trauma que é crescente no Brasil, se não houver uma legisla de trânsito, controle de álcool e realmente uma cobrança efetiva da responsabilização dos motoristas, nós não teremos um limite. Temos a área da proteção a infância, há uma carência muito grande de serviços de pediatria no SUS então é urgente também que nós tratemos dessa área com muito cuidado. E temos a área de oncologia, onde é crescente o número casos, e ainda existem filas de dois anos para o paciente ter acesso. É algo lastimável e o governo precisa voltar os olhos para essa situação.
Qual a sua mensagem para a categoria?
Qual a sua mensagem para a categoria?
É importante dizer a categoria que conte com os sindicatos, conte com a Federação. A luta é grande, é difícil mas nós estamos unidos para conseguir as melhorias possíveis.
Fonte: Potiguar Notícias
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