
Foto: Divulgação
Médicos da rede pública de Betim vão realizar paralisações pontuais de 24 horas em protesto contra o caos da saúde no município. A decisão foi tomada ontem, dia 29 de janeiro, em assembleia geral extraordinária, no Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG).
Os médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UAI) Alterosas param no dia 6 de fevereiro (próxima sexta-feira), a partir das 7 horas, atendendo só urgências e emergências. Neste dia, os médicos do posto de Saúde Dom Bosco também suspenderão os atendimentos. No dia 10 de fevereiro, a partir das 7h, na UAI Guanabara, os casos que não sejam de urgência também não serão atendidos.
Com as manifestações, os médicos esperam pressionar a Prefeitura para que apresente soluções para os problemas que se tornam cada vez maiores e se solidarizam com a população que tem sofrido com as falhas na gestão da saúde em Betim.
A decisão foi tomada depois do envio da pauta de reivindicações à Prefeitura onde foi solicitada uma reunião em caráter de urgência. Sem retorno, em relação à data, os médicos decidiram iniciar as paralisações.
Pauta tem como foco condições de trabalho
A pauta enviada à Prefeitura tem como foco a melhoria das condições de trabalho que, segundo os médicos, nunca esteve tão ruim em Betim. Entre outras queixas, a categoria está preocupada com os cortes de clínicos e cirurgiões nos plantões das quatro UAIs (Unidades de Atendimento Imediato) – Guanabara, Alterosas, Teresópolis e 7 de Setembro. As escalas, que já estavam incompletas, ficaram mais reduzidas ainda, trazendo grandes prejuízos no atendimento à população.
Os médicos também denunciaram ao sindicato dificuldades em transferir pacientes graves para avaliação de cirurgiões e realização de cirurgias. Na parte de estrutura, o grande problema tem sido a falta de medicamentos básicos e equipamentos indispensáveis ao atendimento nas unidades.
As situações relatadas pela categoria durante as assembleias são terríveis, inclusive com óbitos que poderiam ser evitados. Os médicos relataram casos constantes de violências de pacientes e familiares e pedem uma segurança mais efetiva nas portarias.
O sindicato orientou os médicos a registrarem de todas as formas possíveis – livro de ocorrência, BOs policiais, fotos e vídeos, documentos dirigidos aos gerentes, as situações de risco no dia a dia de trabalho, para se precaverem. Além do quadro desgastante de falta de estrutura, a Prefeitura também suspendeu, sem nenhuma justificativa, algumas gratificações que os médicos recebiam. Com isso, a situação ficou ainda pior e desmotivadora.
Muitos médicos não aguentam a pressão e estão deixando o município. Para substitui-los a Prefeitura tem utilizado a contratação via Cismep – Consórcio Intermunicipal de Saúde – que retira vários benefícios da categoria, e não tem a aprovação do sindicato.
Uma nova assembleia foi marcada para o dia 23 de fevereiro. Caso a prefeitura não apresente soluções para os problemas apresentados, a categoria poderá decidir por novas paralisações nas unidades de saúde de Betim.
Fonte: Sinmed-MG
Nenhum comentário:
Postar um comentário