Uma
oportunidade para trabalhar com intervenção precoce melhorando o desempenho
neurocognitivo das crianças. É assim que médicos avaliam a importância dos
primeiros mil dias de vida do bebê e o esforço permanente tem sido de
conscientização para o tema.
"Essas manifestações, tanto dos genes como do
ambiente, já começa no período intrauterino. Então, o cuidado e padrão que se
tem de uma gestação é fundamental. Além disso, fatores como a qualidade do
aleitamento materno, o vínculo, a estruturação familiar em nível
socioeconômico, o tempo que a mãe ou cuidador principal tem para a criança
fazem diferença no futuro dela" afirmou a assessora da presidência da
Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Rita de Cássia Ferreira da Silva.
Casos comuns na sociedade, como a criança que morde os
coleguinhas, podem ser um reflexo de uma parte genética oriunda de pais
agressivos, sem paciência para conversar e acompanhá-los nas brincadeiras. A
partir daí, as crianças buscam na agressividade uma compensação. Quando se intervém
nesses casos já não se trata de uma intervenção preventiva. É importante dentro
dos mil dias, ou seja, até o final do segundo ano de vida trabalhar na
prevenção de forma distinta conforme o período.
"No primeiro ano é o afeto, vinculo e apego. A criança
transmite sinais daquilo que ela quer e a família tem que saber reconhecer os
sinais e entendê-los. Já as habilidades para resolver problemas e a
sociabilização são percebidas no segundo ano de vida. O pediatra precisa saber
orientar os pais dessa criança para que não se perca essa janela de
oportunidade que é quando se tem a maior plasticidade
neural" completou Rita.
Em palestra
recente realizada no Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, o médico PHD
do Canadá Research Chair,
Michel Boivin, abordou o tema destacando a necessidade investir no
acompanhamento cada vez maior das primeiras fases da vida.
"O que
estudos estão demonstrando é que diagnósticos individuais aparecem muito cedo,
como comportamento agressivo, por exemplo. Isso sugere que se quisermos mudar é
possível intervir com antecedência", afirmou Michel Boivin
O médico ressalta que não é possível olhar para um fator
isoladamente. É preciso analisar um conjunto de elementos que influenciam sejam
genéticos ou comportamentais. No Brasil, fatores ambientais podem ter forte
influência, como os casos de meninas que se tornam mães ainda na adolescência
ou pré-adolescência.
"Existem problemas que são fortemente relacionados a
nutrição, quando o corpo não está preparado para ser mãe e quanto a isso não há
como reverter. O que essas famílias e mães precisam é suporte. A mãe jovem
precisa ser orientada e o pai também. Amor e carinho são fundamentais, mas é
preciso conscientizar e informar as mães sobre os procedimentos necessários
para correta alimentação e cuidados com o bebê, por exemplo. Não gostaria de
generalizar dizendo que mães muito jovens, não podem ser boas mães. Porém, às
vezes, a criança não é estimulada de forma correta porque a mãe não sabe os
meios certos para isso", afirmou o médico canadense.
Um dos aspectos mais importantes é incentivar a leitura
desde cedo. Mesmo que a criança não entenda a leitura é importante que os pais
invistam um tempo para isso. Estudos mostram que ao fazer isso, a criança fica
melhor preparada para a escola e criará uma conexão entre o aprendizado e
leitura.
Fonte: Agência Brasil
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