Audiência pública contou também com autoridades governamentais e políticos

Foto: Alessandra Vasconcelos
Em audiência pública
Em audiência pública realizada
na manhã desta sexta-feira (18) na Câmara de Vereadores do Recife, a Federação
Nacional dos Médicos (Fenam) discutiu a epidemia de doenças vinculadas ao
mosquito Aedes aegypt – transmissor da dengue,
Chikungunya, Zica Vírus e febre amarela – que acomete o estado de Pernambuco.
Convocada pela deputada estadual e médica Vera Lopes, a audiência teve foco no
aumento de casos de microcefalia e na Síndrome de Guillian-Barré, e em como o
estado vai se manifestar para dar apoio às famílias cujas crianças possuírem
essas doenças. A audiência também teve como objetivo o pedido de trazer o
hospital Sarah Kubitschek, destinado a atender vítimas de politraumatismos e
problemas locomotores, para o estado.
Para expor a complexidade do
controle dessas doenças no estado, foram convidados membros da secretaria de
saúde de Pernambuco, da prefeitura do Recife, do setor de infectologia do
Oswaldo Cruz, que também informaram as medidas de controle e prevenção que já
estão sendo tomadas.
Para o médico infectologista e
conselheiro fiscal da Fenam, Carlos Frias, que participou da mesa de discussão,
a falta de sorologia da doença é ainda um empecilho para que se conheçam melhor
as consequências da contaminação pelo Zika vírus. Segundo ele, o choque inicial
está gerando uma série de pesquisas, mas que não se sabe muito sobre os
desdobramentos da doença. “Se pegar uma vez, pode pegar de novo, como a
catapora? O Zika dá imunidade a ele mesmo uma segunda vez? Ainda não sabemos”,
explica. Ele ainda afirma que cerca de 80% dos casos são assintomáticos, o que
impede uma sorologia mais completa. Frias, porém, acredita que essa onda vai
trazer um efeito benéfico para a saúde pública. “Vamos rediscutir o
acompanhamento do pré-natal e do atendimento a criança especial, o que, talvez,
gere algo positivo para a população”.
Secretário da Fenam no
Nordeste, o médico Deoclides Cardoso trouxe ainda a suspeita de que o Zika
vírus possa causar sérias consequências não só em crianças. “Foi levantada a
suspeita de que o Zika cause um déficit auditivo e visual em adultos
contaminados”, explicou. Já o diretor da Fenam em Pernambuco, Antônio Jordão,
afirmou a preocupação da classe médica do estado em estruturar um tratamento
adequado para as doenças causadas pelo Aedes aegypt, além de frisar
a falta de condições básicas para se desenvolver um acolhimento adequado na
rede pública de saúde. “Nós, da Fenam, defendemos os médicos e a saúde
pública”.
Para a chefe de infectologia
pediátrica do hospital Oswaldo Cruz, Angela Rocha, Pernambuco só conta com um
maior número de casos de microcefalia no Brasil porque vem fazendo o
acompanhamento desse surto há alguns meses. “Os outros estados ainda estão
contabilizando e notificando casos de meses atrás”. A médica ainda informou que
o hospital está acompanhando mais de 200 crianças, e suas respectivas famílias,
que estão no limite de medida entre um crânio de tamanho normal e um com
microcefalia, o que corresponde a crianças com crânios entre 32cm e 33cm. Ela
ainda apontou que são investigadas outras causas da doença.
Sobre a síndrome de
Guillain-Barré, a prefeitura do Recife afirmou que o número de casos ainda não
saiu da linha esperada e que a mesma é causada por outras doenças que não o
Zika vírus. A doença é autoimune e não deixou de acontecer, mas não registrou
aumentos na cidade.
Compondo a frente da luta pela
saúde pública no estado, o deputado Luiz Eustáquio afirmou a importância da
participação da sociedade, mas que a responsabilidade maior do atual
descontrole é do estado, que não dá condições básicas de saneamento para a
população mais pobre, como o recolhimento do lixo, e não fornece água encanada,
o que obriga as pessoas a acumular água em casa. “O poder público tem que
fazer sua parte mesmo. Estamos criando uma geração de crianças que não poderão
ter uma vida normal por culpa nossa”, afirmou o deputado.
riando uma geração de crianças que não poderão ter uma vida normal por culpa nossa”, afirmou o deputado.na manhã desta sexta-feira (18) na Câmara de Vereadores do Recife, a Federação Nacional d
Fonte: FENAM - Francielly Palmeira
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