Médicos alertam sobre doenças causadas pela ingestão de metais

Após A GAZETA publicar na edição desta segunda-feira (28), com exclusividade, o laudo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) - que aponta contaminação acima dos limites permitidos pela legislação por metais pesados em peixes, mariscos e também na água do Rio Doce, - médicos alertam para o perigo que eles podem causar à saúde de quem os consome. O nível de arsênio encontrado no peixe roncador, por exemplo, ultrapassa em 140 vezes os limites de contaminação.
Além de arsênio, foram identificados metais como alumínio, chumbo e mercúrio. O presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Otto Baptista, afirma que em contato com o organismo, esse metal causa cólicas abdominais, náuseas, raquitismo e alterações neurológicas com graves danos ao tecido cerebral. Ele defende que é preciso fazer um trabalho de conscientização com a população. “É preciso orientá-la de forma educativa em relação aos riscos”.
Os índices de mercúrio em um dos pontos ultrapassavam 13 vezes o tolerável, enquanto os resultados de manganês estavam quatro vezes acima do normal. Baptista lembra que o mercúrio é mais nocivo durante a gestação, uma vez que os bebês podem nascer com doenças neurológicas, enquanto os sintomas de intoxicação por manganês são observados nos sistemas nervoso central e respiratório.
O nefrologista Michel Assbu, afirma que o cádmio, também encontrado, pode alterar a função reprodutora do homem e da mulher. “E ser um gatilho para o desenvolvimento de todos os tipos de cânceres. Os sintomas da intoxicação serão sentidos a longo prazo e dependendo da quantidade ingerida”.
O doutor em ciências fisiológicas e professor da UVV e do Ifes, Thiago de Melo, alerta que é preciso se prevenir. “Utilizar água proveniente de outras vias e não se alimentar de pescados da região”.
Fonte: Gazeta Online - 29/03/2016
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