Ato integra a Semana Nacional de Mobilização para a Busca e Defesa da Criança Desaparecida
A meta é mobilizar o maior número de cidadãos e instituições para dar apoio e estímulo à cruzada das Mães da Sé. O ato nas escadarias da Praça da Sé, em São Paulo, no dia 31 de março, às 15h, destacará o trabalho dessa ONG. Na ocasião, que marcará os 19 anos de atividades da associação, cerca de 300 pessoas estarão reunidas para reforçar o compromisso com a busca dos desaparecidos e cobrar respostas efetivas das autoridades.
Na oportunidade, será apresentada aos paulistanos iniciativa do CFM, por meio de sua Comissão de Ações Sociais, que pretende envolver médicos e outros profissionais da saúde na prevenção e no combate ao desaparecimento de crianças e adolescentes. Uma campanha neste sentido foi iniciada e está sendo objeto de atividades nos Estados para garantir o engajamento dos profissionais.
Orientações à sociedade e aos médicos – “Não falar com estranhos” e “não aceite caronas”. Todo mundo já ouviu o quanto é importante repassar esta orientação para as crianças. Os números nacionais, no entanto, demonstram a necessidade de reforçar o alerta. Outra orientação é deixar com a criança um cartão de identificação com o nome, telefone e endereço dos pais.
De acordo com autoridades da Polícia, castigos exagerados, desproporcionais ao fato, assim como excesso de controle, podem desencadear a ideia da fuga. O outro extremo, de desleixo dos pais, também pode fazer a criança sentir-se rejeitada, pensando em fugir para chamar a atenção.
O problema do desaparecimento - No Brasil, são registrados em média 50 mil casos de desaparecimento de crianças e adolescentes por ano. O estado de São Paulo detém 25% desse número, representando o maior índice, seguido do Rio de Janeiro e dos estados do Nordeste. Estima-se, ainda, que quase 250 mil estejam desaparecidas no país.
De acordo com a presidente da ONG Mães da Sé, Ivanise Esperidião, dados da Delegacia de Pessoas Desaparecidas de São Paulo mostram que, em 2005, sumiram 18.702 pessoas no estado, em 2014 o número quase dobrou, ultrapassando a marca de 30 mil casos. "Queremos incentivar a sociedade a participar do processo de localização de crianças e adultos desaparecidos. Já estamos cansados de esperar dias, meses, anos sem uma resposta das autoridades, e só vamos conseguir essa resposta quando a sociedade for nossa principal parceira, e se unir à nossa luta".
Membro da Comissão de Ações Sociais do CFM, Ricardo Paiva aponta que um dos principais problemas é a falta de um cadastro nacional – havendo grande expectativa em relação ao seu funcionamento efetivo, que apesar de ter sido criado por lei em dezembro de 2009, deixa as famílias sem suporte oficial. “Saber sobre isso e calar, não é omissão. É conivência diante de quem não tem como se defender. É cumplicidade. Nós médicos podemos e devemos fazer muito para mudar essa realidade”, afirmou.
Atenção no atendimento - O Conselho Federal de Medicina (CFM) aposta ser possível reverter esta realidade. Por isso, desenvolve junto à categoria uma campanha de conscientização desde 2011. Por meio da Recomendação nº 4/2014, os profissionais médicos e instituições de tratamento médico, clínico, ambulatorial ou hospitalar foram orientados sobre como o quê observar e fazer para ajudar neste esforço contra o desaparecimento de menores.
O documento orienta os médicos a prestarem atenção nas atitudes desses pequenos pacientes: “observar como ele se comporta com o acompanhante, se demonstra medo, choro ou aparência assustada; observar se existem marcas físicas de violência, como cortes, hematomas ou até abusos”.
O CFM ainda alerta que os médicos peçam a documentação do acompanhante. Conforme a orientação do documento, “a criança deve estar acompanhada dos pais, avós, irmão ou parente próximo. Caso contrário, pergunte se a pessoa tem autorização por escrito”. Além disso, recomenda-se “desconfiar se o acompanhante fornecer informações desencontradas, contraditórias ou não souber as perguntas básicas”.
A organização - Em média, de 20 a 25 mães procuram a ONG por mês, no escritório da Mães da Sé. Além disso, a associação atende casos também por e-mail e telefone. O volume de desaparecidos maiores de idade foi aumentando e hoje a Mães da Sé atende mais esse público do que o infanto-juvenil. Cerca de 80% dos cadastrados têm mais de 18 anos.
Em 19 anos de atuação, a Mães da Sé já cadastrou mais de 10 mil casos, desse total, 40% ou, 4.152 dos casos foram solucionados. Tornando a associação excelência em atendimento a vitimas do desaparecimento de pessoas em todo território nacional.
O escritório da Mães da Sé está localizada na Rua São Bento, 370, 9º andar, o horário de atendimento ao pública é das 9 às 17h. Caso não esteja na capital paulistana, os interessados podem entrar em contato com a associação através do emailmaesdase@globo.com ou pelo número (11) 3337-3331.
ATO PÚBLICO
Semana Nacional de Mobilização para a Busca e Defesa da Criança Desaparecida
Dia 31 de março
A partir das 15h
Na Praça da Sé, Centro. São Paulo.
Informações: (11) 3337-3331 / (61) 7812-5100
Fonte: Portal CFM
|
Mostrando postagens com marcador Crianças desaparecidas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crianças desaparecidas. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 31 de março de 2015
Mães da Sé e CFM promovem ato para cobrar solução para desaparecimento de crianças e adolescentes
sexta-feira, 27 de março de 2015
Curitiba reforça a luta em defesa da criança desaparecida
Com a intenção de colocar em debate o problema das crianças desaparecidas no país e promover a divulgação de medidas de prevenção para médicos e a população em geral, o Conselho Federal de Medicina(CFM) promoveu no dia 25 de março, no centro de Curitiba (PR), um ato público que celebra a Semana Nacional de Mobilização para a Busca e Defesa da Criança Desaparecida. A intenção da autarquia é ampliar a orientação de profissionais médicos para ficarem atentos sobre como observar as atitudes dos pequenos pacientes a fim de detectar algo fora do normal, como por exemplo, marcas físicas de violência. Um novo ato também será realizado no dia 31 na Praça da Sé, no centro de São Paulo. (leia mais abaixo)
O Paraná é uma referência nacional na busca desses menores.
Entre os 254 casos investigados no ano passado no estado todos foram resolvidos. Segundo números do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do estado (Sicride), 155 (63,5%) foram de meninos com idade média de 11 anos. As regiões Norte e Metropolitana de Curitiba foram as que concentraram a maior incidência de desaparecimento com 64 e 47 casos, respectivamente.
"O número de crianças desaparecidas é muito maior do que as pessoas imaginam. No Brasil são 15 por minuto, 50 mil por ano. Por isso é tão importante que os profissionais notifiquem qualquer tipo de violência observado", ressaltou o conselheiro federal Donizetti Giambernardino Filho, membro da Comissão de Ações Sociais do CFM.
Desse total, São Paulo detém 25% desse total. Logo atrás vêm o Rio de Janeiro e a Região Nordeste. Estima-se, ainda, que quase 250 mil desses menores não tenham sido encontrados.
Manifestações
O Paraná é uma referência nacional na busca desses menores.
Entre os 254 casos investigados no ano passado no estado todos foram resolvidos. Segundo números do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do estado (Sicride), 155 (63,5%) foram de meninos com idade média de 11 anos. As regiões Norte e Metropolitana de Curitiba foram as que concentraram a maior incidência de desaparecimento com 64 e 47 casos, respectivamente.
"O número de crianças desaparecidas é muito maior do que as pessoas imaginam. No Brasil são 15 por minuto, 50 mil por ano. Por isso é tão importante que os profissionais notifiquem qualquer tipo de violência observado", ressaltou o conselheiro federal Donizetti Giambernardino Filho, membro da Comissão de Ações Sociais do CFM.
Desse total, São Paulo detém 25% desse total. Logo atrás vêm o Rio de Janeiro e a Região Nordeste. Estima-se, ainda, que quase 250 mil desses menores não tenham sido encontrados.
Manifestações
De acordo com a delegada-titular do Sicride, Nilceia Ferraro, em geral, os boletins de ocorrência relacionados ao desaparecimento infantil são registrados por briga de guarda dos pais, quando um dos responsáveis foge com o filho. Outros casos envolvem fuga por causa de violência doméstica ou para chamar a atenção das famílias.
De acordo com ela, a polícia deve ser comunicada do desaparecimento assim que o responsável perceber que a criança sumiu, não sendo necessário esperar um período mínimo.
De acordo com ela, a polícia deve ser comunicada do desaparecimento assim que o responsável perceber que a criança sumiu, não sendo necessário esperar um período mínimo.
"Não existe um prazo para oferecer denúncia. Se a criança desapareceu imediatamente vá até a delegacia mais próxima para fazer o registro da ocorrência. Precisamos começar a trabalhar em rede, com outros órgãos, principalmente na área de saúde. Por isso, iniciativas, como a do CFM, são importantes", disse a delegada.
Mães e parentes de crianças desaparecidas também elogiaram a ação do CFM. "Estas campanhas são importantes porque sempre trazem mais esperança", afirmou Marlene Florêncio, de 66 anos, que sonha em rever sua neta, Vivian Florêncio. A menina foi vista pela última vez em 4 de março de 2005.
Junto aos médicos
O Conselho quer contribuir para reverter esta realidade. Por isso, desenvolve junto à categoria uma campanha de conscientização desde 2011. Por exemplo, no dia 25 em Curitiba, os membros da Comissão de Ações Sociais da autarquia visitaram o Hospital Pequeno Príncipe e orientaram médicos e profissionais da saúde sobre como ajudar neste esforço.
Segundo o secretário-geral do CFM, Henrique Batista Silva, os médicos precisam ficar atentos a atitudes suspeitas. “Nas consultas médicas é essencial identificar fatores de risco, como falta de afetividade e maus tratos”. Ele apontou as orientações da Recomendação CFM nº 4: “observar como o menor se comporta com o acompanhante, se demonstra medo, choro ou aparência assustada; observar se existem marcas físicas de violência, como cortes, hematomas ou até abusos”.
A pediatra Milene Meller passou por uma situação delicada há um ano. Ela recebeu um casal com três crianças com aparências diferentes e relata que os responsáveis pelas crianças desconversavam quanto a histórico de saúde e endereço da residência. “Achei aquela situação suspeita. Apesar de não perceber maus-tratos, percebi que as crianças não se sentiam a vontade com aqueles adultos. Foi então que decidi denunciar e chamar a polícia”, relatou a médica do Hospital Pequeno Príncipe que não recebeu retorno das autoridades sobre o desfecho do caso.
São Paulo
Segundo o secretário-geral do CFM, Henrique Batista Silva, os médicos precisam ficar atentos a atitudes suspeitas. “Nas consultas médicas é essencial identificar fatores de risco, como falta de afetividade e maus tratos”. Ele apontou as orientações da Recomendação CFM nº 4: “observar como o menor se comporta com o acompanhante, se demonstra medo, choro ou aparência assustada; observar se existem marcas físicas de violência, como cortes, hematomas ou até abusos”.
A pediatra Milene Meller passou por uma situação delicada há um ano. Ela recebeu um casal com três crianças com aparências diferentes e relata que os responsáveis pelas crianças desconversavam quanto a histórico de saúde e endereço da residência. “Achei aquela situação suspeita. Apesar de não perceber maus-tratos, percebi que as crianças não se sentiam a vontade com aqueles adultos. Foi então que decidi denunciar e chamar a polícia”, relatou a médica do Hospital Pequeno Príncipe que não recebeu retorno das autoridades sobre o desfecho do caso.
São Paulo
Um novo ato marcará o encerramento da Semana Nacional de Mobilização para a Busca e Defesa da Criança Desaparecida. O CFM e a ONG Mães da Sé organizam mobilização nas escadarias da Praça da Sé, na capital paulista, no dia 31 de março, às 15h. Só no estado, em 2014, foram registrados cerca de 33 mil, sendo que 28 mil foram localizados.
A meta é mobilizar o maior número de cidadãos e instituições para dar apoio e estímulo à cruzada das Mães da Sé. Na ocasião, que marcará os 19 anos de atividades da associação, cerca de 300 pessoas estarão reunidas para reforçar o compromisso com a busca dos desaparecidos e cobrar respostas efetivas das autoridades.
Segundo o médico Ricardo Paiva, membro da Comissão, o grupo também busca pela formalização de políticas públicas de enfrentamento ao desaparecimento de crianças e adolescentes, e no apoio a trabalhos de excelência. Ele apontou que um dos principais problemas é a falta de um cadastro nacional – havendo grande expectativa em relação ao seu funcionamento efetivo, que apesar de ter sido criado por lei em dezembro de 2009, deixa as famílias sem suporte oficial.“Saber sobre isso e calar, não é omissão. É conivência diante de quem não tem como se defender. É cumplicidade. Nós médicos podemos e devemos fazer muito para mudar essa realidade”, afirmou.
A meta é mobilizar o maior número de cidadãos e instituições para dar apoio e estímulo à cruzada das Mães da Sé. Na ocasião, que marcará os 19 anos de atividades da associação, cerca de 300 pessoas estarão reunidas para reforçar o compromisso com a busca dos desaparecidos e cobrar respostas efetivas das autoridades.
Segundo o médico Ricardo Paiva, membro da Comissão, o grupo também busca pela formalização de políticas públicas de enfrentamento ao desaparecimento de crianças e adolescentes, e no apoio a trabalhos de excelência. Ele apontou que um dos principais problemas é a falta de um cadastro nacional – havendo grande expectativa em relação ao seu funcionamento efetivo, que apesar de ter sido criado por lei em dezembro de 2009, deixa as famílias sem suporte oficial.“Saber sobre isso e calar, não é omissão. É conivência diante de quem não tem como se defender. É cumplicidade. Nós médicos podemos e devemos fazer muito para mudar essa realidade”, afirmou.
Fonte: Portal CFM
|
Assinar:
Postagens (Atom)