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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

MG: médicos de Betim vão paralisar por 24 horas os atendimentos


Foto: Divulgação 

Médicos da rede pública de Betim vão realizar paralisações pontuais de 24 horas em protesto contra o caos da saúde no município. A decisão foi tomada ontem, dia 29 de janeiro, em assembleia geral extraordinária, no Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG).
Os médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UAI) Alterosas param no dia 6 de fevereiro (próxima sexta-feira), a partir das 7 horas, atendendo só urgências e emergências. Neste dia, os médicos do posto de Saúde Dom Bosco também suspenderão os atendimentos. No dia 10 de fevereiro, a partir das 7h, na UAI Guanabara, os casos que não sejam de urgência também não serão atendidos.
Com as manifestações, os médicos esperam pressionar a Prefeitura para que apresente soluções para os problemas que se tornam cada vez maiores e se solidarizam com a população que tem sofrido com as falhas na gestão da saúde em Betim.
A decisão foi tomada depois do envio da pauta de reivindicações à Prefeitura onde foi solicitada uma reunião em caráter de urgência. Sem retorno, em relação à data, os médicos decidiram iniciar as paralisações.

Pauta tem como foco condições de trabalho
A pauta enviada à Prefeitura tem como foco a melhoria das condições de trabalho que, segundo os médicos, nunca esteve tão ruim em Betim. Entre outras queixas, a categoria está preocupada com os cortes de clínicos e cirurgiões nos plantões das quatro UAIs (Unidades de Atendimento Imediato) – Guanabara, Alterosas, Teresópolis e 7 de Setembro. As escalas, que já estavam incompletas, ficaram mais reduzidas ainda, trazendo grandes prejuízos no atendimento à população.
Os médicos também denunciaram ao sindicato dificuldades em transferir pacientes graves para avaliação de cirurgiões e realização de cirurgias. Na parte de estrutura, o grande problema tem sido a falta de medicamentos básicos e equipamentos indispensáveis ao atendimento nas unidades.
As situações relatadas pela categoria durante as assembleias são terríveis, inclusive com óbitos que poderiam ser evitados. Os médicos relataram casos constantes de violências de pacientes e familiares e pedem uma segurança mais efetiva nas portarias.
O sindicato orientou os médicos a registrarem de todas as formas possíveis – livro de ocorrência, BOs policiais, fotos e vídeos, documentos dirigidos aos gerentes, as situações de risco no dia a dia de trabalho, para se precaverem. Além do quadro desgastante de falta de estrutura, a Prefeitura também suspendeu, sem nenhuma justificativa, algumas gratificações que os médicos recebiam. Com isso, a situação ficou ainda pior e desmotivadora.
Muitos médicos não aguentam a pressão e estão deixando o município. Para substitui-los a Prefeitura tem utilizado a contratação via Cismep – Consórcio Intermunicipal de Saúde – que retira vários benefícios da categoria, e não tem a aprovação do sindicato.
Uma nova assembleia foi marcada para o dia 23 de fevereiro. Caso a prefeitura não apresente soluções para os problemas apresentados, a categoria poderá decidir por novas paralisações nas unidades de saúde de Betim.

Fonte: Sinmed-MG 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Em Minas Gerais pediatras paralisam na próxima segunda-feira (1/12) por melhores condições de trabalho


Foto: Divulgação 

Os pediatras do Hospital Infantil João Paulo II (antigo CGP) farão uma paralisação de 24 horas (das 7h de segunda, dia 1/dez, às 7h de terça-feira, dia 2). Só serão mantidos os atendimentos de urgência e emergência. A decisão foi tomada em assembleia geral extraordinária (AGE), dia 24 de novembro, no Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG). O objetivo da paralisação é sensibilizar os gestores e a comunidade para a situação de caos que vive o maior hospital infantil do Estado.
 
Segundo os médicos, para pleno atendimento da demanda que historicamente recorre ao hospital seriam necessários, no mínimo, SETE pediatras. Atualmente, em muitos dias João Paulo II funciona com apenas UM médico de plantão. Entre os motivos, estão principalmente o grande número de demissões por falta de condições de trabalho, má remuneração, sobrecarga de atendimentos; e aposentadorias. Situação que se agrava a cada dia com a falta de reposições por concursos públicos.
 
Os médicos informam também, que além da paralisação por 24 horas, como forma de denúncia, nos demais dias em que a escala estiver incompleta, com menos de três médicos, serão priorizados os atendimentos a urgências graves, com risco de morte ou de sequelas irreversíveis, de forma que a população deverá procurar atendimento prioritariamente nas UPAS de seus municípios.
 
Além da falta de pediatras no Hospital, os médicos denunciam que as Prefeituras das cidades da Região Metropolitana, incluindo BH, também não têm criado condições para manter o atendimento a urgências pediátricas. Ao invés de combater o problema, essas prefeituras, principalmente Contagem, Santa Luzia, Sabará, Vespasiano, entre outras, vêm orientando os pacientes a procurarem diretamente o Hospital João Paulo II, sem mesmo saber se o hospital tem condições para receber essa demanda extra.
 
Os médicos temem que a situação se torne ainda mais insustentável em dezembro e janeiro com o aumento dos casos de dengue e ckikungunya, e a partir de março com o pico das doenças respiratórias.
 
Reivindicações envolvem condições de trabalho
 
A principal queixa são as escalas incompletas, principalmente nos plantões de final de semana, que sobrecarregam os médicos presentes e colocam em risco o trabalho do profissional e a população. Para isso pedem contratação, em regime de urgência, de médicos para reposição das escalas.
 
Lutam, ainda, por condições de trabalho, o que inclui melhoria das instalações físicas visando salubridade e segurança no trabalho, como: portaria diferenciada para entrada e saída de funcionários; saída de segurança para os profissionais em caso de violência; refrigeração adequada nas dependências do Pronto-Atendimento e, principalmente, nos consultórios; aumento do número e manutenção técnica das impressoras dos consultórios, troca dos computadores obsoletos.
 
Os pediatras pedem, ainda, valor diferenciado para os plantões de final de semana e equiparação do abono de urgência aos médicos do Hospital João XXIII, uma vez que o João Paulo II também realiza atendimentos de alta complexidade.
 
A categoria acha fundamental a recolocação do HIJPII na rede de urgência pediátrica do Município e do Estado, de forma a melhor atender ao perfil de necessidades de saúde da população.
 
Reposicionamento do hospital é uma das propostas
 
Em documento entregue à Fhemig, foi proposto o encerramento do atendimento a livre demanda (Pronto-Atendimento de “porta aberta”), transferindo-o às Unidades de Pronto Atendimento Municipais e mantendo equipe de urgência e emergência funcionando como referência da rede para atendimentos e internações de pacientes graves, semicríticos, com patologias complexas que requeiram avaliação especializada, pacientes clínicos transferidos diretamente pelo SAMU, bem como para atendimento direto aos pacientes para os quais o hospital já é referência para o atendimento: Doenças Infecto-Parasitárias, Anemia Falciforme, Mucopolissacaridose, Fibrose Cística, pacientes em Ventilação Mecânica Domiciliar, dentre outros a serem pactuados.
 
Para o diretor do Sinmed-MG, Cristiano Túlio Maciel, que está acompanhando o movimento e também trabalha no HIJPII, a crise do hospital reflete um problema maior que é o atendimento em urgência pediátrica. “O HIJPII vem sendo colocado pela sociedade, imprensa e Ministério Público como único responsável pela situação caótica do atendimento de urgência no município de BH e região metropolitana, enquanto essa assistência é de responsabilidade dos municípios. O Corpo Clínico entende que a recolocação do papel do HIJPII na rede de urgência precisa de negociações e prazos para ser efetivada, mas precisa ser feita”.
 
Uma próxima assembleia foi marcada para 4 de dezembro, às 19 horas, para decidir os rumos do movimento. Caso as reivindicações não sejam atendidas, poderá haver novas paralisações.

Fonte: Sinmed-MG - 27/11/2014