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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Melhorias na democracia refletirão na saúde, dizem entidades nacionais

Os presidentes da Associação Nacional de Saúde Coletiva (Abrasco), Luis Eugenio Portela Fernandes de Souza, e do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Maria do Socorro de Souza, defenderam melhorias na democracia como forma de beneficiar a saúde.
Para os dois, que participaram do simpósio de saúde na Câmara, a garantia da saúde deve figurar ao lado das garantias de direitos políticos, civis e sociais de todos os cidadãos brasileiros. “Não é possível a existência de uma democracia setorial”, disse Luis Eugenio.
Também para Maria do Socorro, a abordagem da saúde não deve se dar isolada da conjuntura social e econômica do País. “Não dá para discutir saúde sem fazer uma crítica ao modelo de desenvolvimento do Brasil e do seu papel no cenário internacional. É um modelo ainda concentrador de riquezas e de rendas. É preciso enfrentar as desigualdades, a exclusão, a discriminação”, disse.
Plano de saúde
Os dois palestrantes demonstraram preocupação ainda com a pauta da Câmara referente à saúde. Há propostas, disseram, que podem colocar em xeque o próprio Sistema Único de Saúde. Uma delas seria a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 451/14, que inclui como garantia fundamental do trabalhador o pagamento de plano de saúde pelo empregador, em decorrência de vínculo empregatício.
“A PEC 451 é uma desconstitucionalização do direito universal à saúde”, lamentou Maria do Socorro de Souza.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:


Fonte: Agência Câmara de Notícias

Ministro da Saúde critica decisões judiciais favoráveis a tratamentos experimentais

Segundo o ministro, somente em 2015, a União deverá desembolsar R$ 900 milhões com tratamentos decididos em ações na Justiça


Ministro Arhtur Chioro participou de simpósio promovido pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. Alex Ferreira / Câmara dos Deputados


O ministro da Saúde, Arthur Chioro, criticou nesta quarta-feira (17) o que chamou de “judicialização” da saúde no Brasil — ou seja, a obrigação, determinada pela Justiça, de o governo arcar com tratamentos em fase de teste ou com produtos específicos de alto custo para determinado paciente, deixando de investir o dinheiro de forma mais abrangente para a população. Segundo ele, somente em 2015, a expectativa é que a Justiça determine o gasto de R$ 900 milhões com esses tratamentos.

"Não estou questionando o direito de cada brasileiro ir à Justiça garantir o seu acesso. Estou me insurgindo contra a utilização do Poder Judiciário para transformar o nosso País em uma plataforma para lançamento de medicamentos, insumos, órteses e próteses sem nenhum critério, produzindo profundas iniquidades no acesso da população à saúde. Quando sou obrigado a comprar um medicamento em fase dois de teste na Itália com 400 mil dólares, o dinheiro vai fazer falta para centenas, para milhares de brasileiros que dependem daquele recurso. Isso é profundamente desorganizador. É o Poder Judiciário determinando como o Executivo vai utilizar seu orçamento", criticou.

O ministro classificou a prática de “perversa”. "Hoje, o secretário de saúde recebe ordem judicial para comprar fralda de tal marca, antitérmico de tal marca. Será que quem prescreve não tem que ser questionado sobre seu interesse?", questionou ainda.

Chioro participou, na Câmara dos Deputados, do simpósio "Saúde: direito de todos, dever do Estado". O evento é promovido pela Comissão de Seguridade Social e Família e prossegue até esta quinta-feira (18).

CPMF
Segundo o ministro, o gasto público no Brasil com saúde em 2010 foi de 483 dólares por habitante no ano. Na Argentina, esse gasto foi de 829 dólares. Na Inglaterra, 2.895 dólares. Ele criticou o fim da CPMF, contribuição destinada a financiar a saúde, extinta pelo Congresso em 2007.


Durante o simpósio, diversos parlamentares reclamaram de subfinanciamento da saúde brasileira. “Só no setor de média e alta complexidade, faltam R$ 3 bilhões. Apesar de ter saído de R$ 40,8 bilhões para R$ 43 bilhões, ainda falta recurso para ajustar o que é necessário”, observou o presidente da Comissão de Seguridade, Antonio Brito (PTB-BA).

“Estamos vivendo uma falta de prioridade para a saúde. Não é deste governo, é uma coisa que vem de há muito tempo”, disse o presidente da Frente Parlamentar de Saúde, deputado Osmar Terra (PMDB-RS).

Grandes fortunas
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que solicitou o simpósio, defendeu a taxação de grandes fortunas como forma de financiar a saúde. “Você tem 997 pessoas no Brasil com patrimônio acima de R$ 100 milhões. Ou seja, menos de mil pessoas podem dar à saúde uma contribuição de bilhões, se elas forem corretamente taxadas nos seus patrimônios”, disse Feghali.

Ela é autora do Projeto de Lei Complementar 10/15, que cria a Contribuição Social sobre Grandes Fortunas. O projeto está apensado ao PLP 277/08, juntamente com outros sete, e pronto para a pauta de votação do Plenário.

Gestão
Arthur Chioro disse que a discussão sobre a saúde deve se centrar em como gastar melhor os recursos, com a valorização dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Para Jandira Feghali, um ponto fundamental é discutir o papel do Estado na gestão da saúde.

Quanto ao financiamento, o ministro disse que cabe ao Congresso Nacional discutir o assunto. Segundo o ministro, os parlamentares e a sociedade devem decidir se querem manter o sistema universal de saúde, conforme previsto na Constituição de 1988. "Vamos ter de encarar a discussão da sustentabilidade do sistema", disse Chioro.

Por outro lado, o ministro destacou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), referência em todo o mundo. "O Brasil avançou no aumento da expectativa de vida. Nós devemos muito ao SUS: uma rede de serviços de média e alta complexidade, um sistema de vigilância epidemiológica e sanitária respeitado mundialmente, um programa de imunização com 27 vacinas, o maior sistema de transplantes público do mundo", listou.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:
PLP-277/2008
PLP-10/2015


Fonte: Agência Câmara de Notícias

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Comissão de Seguridade Social promove Simpósio Nacional de Saúde

A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados promove nesta quarta (17) e nesta quinta-feira (18) o Simpósio Nacional de Saúde – "Saúde: Direito de Todos, Dever do Estado".
A mesa de abertura do evento, na quarta-feira, às 9 horas, deverá contar com a presença do ministro da Saúde, Arthur Chioro; da presidente do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza; do presidente da Comissão de Seguridade Social e Família, deputado Antônio Brito (PTB-BA); do presidente da Frente Parlamentar de Saúde, deputado Osmar Terra (PMDB-RS); e da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), autora do requerimento para a realização do simpósio.
O evento ocorrerá no auditório Nereu Ramos.
Fonte: Agência Câmara de Notícias