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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Encontro realizado na ALEP defende ampliação do tratamento do câncer de mama pelo SUS

 / Foto: Dálie Felberg/Alep
Foto: Dálie Felberg/Alep


A resistência do Poder Público em implantar o uso de medicamentos de tecnologia avançada no tratamento do câncer de mama metastático na rede pública de saúde foi o principal tema do I Ciclo de Debates sobre Câncer de Mama realizado no Plenarinho da Assembleia Legislativa na manhã desta terça-feira (30). Proposto pelo presidente da Comissão Executiva, deputado Ademar Traiano (PSDB), o evento, em parceria com a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), foi coordenado pela presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Cantora Mara Lima (PSDB), e trouxe a Curitiba representantes de instituições e ONGs de várias regiões do estado, além de pacientes ora em tratamento.


Ao abrir os trabalhos, Traiano frisou a importância de iniciativas como essa não só pelo seu caráter informativo, mas também pelo apoio e conforto que podem levar às famílias afetadas por casos de doença, lembrando que ele próprio, há 23 anos, perdeu a esposa com apenas 36 anos de idade vitimada por um câncer. "Fiquei muito sensibilizado com o trabalho da Federação e a Assembleia Legislativa fará o que for possível apresentando projetos, emendas ou programas que possam ajudar a salvar as pessoas com câncer, apoiando na prevenção e no tratamento da doença", disse Ademar Traiano. Shirley Santos, que teve um câncer de mama diagnosticado há cerca de 20 anos, relatou o verdadeiro calvário que atravessou em busca de tratamento, com os frequentes obstáculos levantados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o acesso a exames e medicamentos modernos, capazes de reduzir o desconforto e a angústia daqueles que não possuem meios para custeá-los.


Contou que graças ao fato de ter familiares radicados na Itália e que se dispuseram a abrigá-la, pôde constatar a diferença entre os sistemas de saúde pública dos dois países, com evidente desvantagem para o Brasil, restando aos brasileiros recorrer à Justiça, quando podem, para terem garantido o alívio representado pelo tratamento mais adequado.


Avanços para poucos – O mastologista Painait Kosmos Nicolao traçou um panorama dos avanços obtidos pela Medicina até agora na prevenção e no tratamento do câncer de mama, capazes de assegurar uma sobrevida mais longa e com melhor qualidade, mesmo para os portadores da doença em estágio avançado. Lamentou que medicamentos como o Everolimus e Pertuzumabe, de eficiência mundialmente reconhecida, estejam ao alcance de poucas, porque o poder público não os oferece regularmente à população. E ponderou que a padronização do tratamento nas redes pública e privada ampliaria o seu uso – e de outros remédios igualmente efetivos – a um custo menor do que o representado pelas inúmeras ações judiciais.


A judicialização da medicina foi abordada ainda pela defensora pública da União, Ana Claudia de Carvalho Tirelli Djukic, e pelo assessor de Relações Governamentais da FEMAMA, Thiago Turbay, que atribuem o fato justamente às restrições impostas pelos gestores da saúde em todos os níveis. Ana Claudia criticou a teoria da reserva do possível, que tem servido de pretexto para negar o acesso a medicamentos caros por parte de pacientes de câncer em estágio avançado, e a postura do Governo, que aprova um medicamento para a saúde suplementar e reprova o acesso ao mesmo medicamento através do SUS: “Trata-se de uma forma de discriminação, que vem alimentando o crescimento dos casos de judicialização no País”.


Turbay foi enfático ao afirmar que há um jogo de empurra-empurra entre os diversos níveis de poder, tentando se esquivar das responsabilidades a eles atribuídas pela Constituição Federal: “Não podemos aceitar a desculpa de que não existem recursos para garantir o direito à vida e à saúde. O Estado e o município podem ofertar medicamentos inovadores para pacientes de sua rede conveniada, desde que haja pactuação com os gestores por meio da Comissão Intergestores Bipartite e do Conselho Municipal de Saúde” observou.


Participaram dos debates ainda a presidente da Mão Amiga, ação voluntária de Francisco Beltrão, Juceney Decaz, que elencou os direitos fundamentais dos pacientes; Tania Gomez, vice-presidente da FEMAMA e presidente do Instituto HUMSOL; Simone Cortes, presidente do Movimento Cascavel Rosa; os deputados Adelino Ribeiro (PSL), Nelson Luersen (PDT), Claudia Pereira (PSC), Wilmar Reichembach (PSC), Tião Medeiros (PTB), Bernardo Carli (PSDB), Márcio Pacheco (PPL) e Fernando Scanavaca (PDT), além de um grande número de voluntárias e representantes de ONGs e movimentos sociais ligados à área em várias regiões do Estado.



Fonte: Assessoria de Imprensa/ALEP

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Ministro da Saúde defende ampliação do Programa Mais Médicos

Chioro (D) reforça meta do ministério de elevar de 374 mil para 600 mil médicos o número de profissionais no programa.Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, defendeu, nesta quarta-feira (29) a ampliação do Programa Mais Médicos e negou que o governo tenha cortado investimentos na saúde básica.
Chioro participou de audiência pública, na Câmara dos Deputados, realizada pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Fiscalização Financeira e Controle; e de Relações Exteriores e Defesa Nacional.
O ministro enfatizou que o Programa Mais Médicos não é uma política paliativa do governo e sim uma política de estado. Ele reforçou a meta do ministério de elevar de 374 mil para 600 mil médicos, o que deixaria o Brasil com o patamar de 2,7 mil médicos por mil habitantes, acima dos atuais 1,8 mil.
Cooperação com Cuba
Durante a reunião, deputados questionaram a legalidade da cooperação do Brasil com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e Cuba, no contexto do Mais Médicos. Em tom de ironia, o deputado Célio Silveira (PSDB-GO) dirigiu-se ao ministro Arthur Chioro e perguntou se ele teria coragem de ser atendido por um médico caribenho. O ministro respondeu que não via problema na situação e disse que a saúde requer qualificação, independentemente de nacionalidade.
Já o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) concentrou as críticas no que ele chamou de silêncio do ministro da Saúde sobre a falta de recursos para a articulação de políticas públicas entre União, estados e municípios. "Se depender da dureza da presidente da República, nada vai acontecer e agora com o ajuste fiscal rigoroso, para acabar o buraco fiscal irresponsável construído que se reflete sobre a saúde dos brasileiros, também. Isso precisa ser discutido, o senhor precisa vir aqui fazer parcerias e dizer, se o senhor não diz, não vai arrumar soldados para luta."
Corte de investimentos 
O ministro Arthur Chioro rebateu a afirmação do deputado sobre corte de investimentos. Segundo o ministro, o financiamento foi ampliado apesar do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), em 2008. A contribuição chegou a ser usada para financiar, de forma exclusiva, a saúde. Ele informou que a aplicação em saúde entre 2003 e 2013 foi da ordem de R$ 140 bilhões. Do total de recursos do SUS, os municípios entraram com R$ 45 bilhões, os estados com mais R$ 39 bilhões e a União entrou com mais R$ 56 bilhões de recursos a despeito do fim da CPMF.
Arthur Chioro também citou alguns caminhos que podem ser usados para aumentar os recursos do ministério. "Se colocam várias possibilidades: taxação de grandes fortunas, taxação progressiva das heranças, contribuições financeiras, enfim, melhor utilização de recursos do DPVAT, existem milhares de possibilidades inclusive que podem ser isoladas e combinadas. O importante é que nós consigamos construir uma estratégia para que os recursos sejam permanentes e adequados às necessidades do nosso Sistema Único de Saúde, mas gastos com muita qualidade, com muita transparência." 
Fonte: Agência Câmara de Notícias