Mostrando postagens com marcador pode causar câncer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pode causar câncer. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Médicos suspeitam que água do Rio Doce pode causar câncer

Afirmação é do presidente da Federação Nacional dos Médicos. Engenheiro ambiental diz que tratamento não retira metais da água. 


Foto: Viviane Machado/G1 


A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) suspeita que o contato com a água do Rio Doce pode provocar, em longo prazo, o aparecimento de doenças como câncer e malformação fetal. De acordo com o presidente da Fenam, Otto Baptista, um grupo de pessoas que tem contato com a água - mesmo tratada - será monitorada para que médicos avaliem possíveis efeitos no corpo humano.
 
Desde que a onda de rejeitos proveniente do rompimento da barragem  da Samarco, cujos donos são a Vale a BHP, atingiu o Rio Doce, diversas análises são feitas  em pontos do rio para atestar a potabilidade da água.
Tratamento de água em Colatina (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Tratamento de água em Colatina
 
No Espírito Santo, três municípios são cortados pelo rio, mas apenas Colatina segue sendo abastecida com a água do Doce. De acordo com a prefeitura, as análises mais recentes mostram que a água que chega às residências está dentro dos padrões de potabilidade.
Entretanto, a possível presença de metais pesados na água - mesmo que em menor quantidade - preocupa os médicos, já que algumas substâncias têm efeito cumulativo.
“Muitas vezes você está recebendo uma água considerada potável, mas que pode ter metais pesados. E o uso contínuo, nos alimentos, na cozinha em geral, pode ter  a longo prazo um depósito desses metais no organismo. Isso vai causar lesões de pele. Quem bebe essa água, a longo prazo, vai apresentar problemas nos órgãos, como aparelho digestivo, urinário e neurológico”, explicou.
Presença de metais pesados
De acordo com o professor de engenharia ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Sérvio Túlio Cassini, que é PHD em microbiologia ambiental, análises preliminares feitas com amostras coletadas em Baixo Guandu, por um laboratório particular e sob supervisão da Ufes, apontaram teor acima do normal de arsênio, chumbo, zinco, cromo e manganês.
 
Segundo ele, o tratamento de água feito nas estações não é capaz de eliminar por completo algumas substâncias, como o arsênio, por exemplo.
“O que nos preocupa são os níveis elevados de arsênio, porque ele é muito tóxico e não é removido no tratamento convencional de água. Então mesmo que você limpe a água, ele continua lá. Quando a pessoa bebe essa água, pode não sentir o efeito na hora, mas a substância vai acumulando e chega a um nível que gera um efeito tóxico no corpo”, disse.
 
Diante da suspeita, a Fenam planeja fazer a própria análise. Nesta quarta-feira (16), uma comitiva de médicos vai a Governador Valadares (MG) para coletar de amostras no Rio Doce.
As análises físico-químicas e microbiológicas em água e em solo serão feitas pelo laboratório independente Água Terra. No total, serão recolhidas 10 amostras em uma extensão de 1.424 quilômetros. O relatório final será divulgado em 90 dias.
 
Grupo de estudo
Para avaliar os possíveis efeitos da água contaminada no corpo humano, a Fenam planeja selecionar um grupo de pessoas que têm contato com a água para que elas sejam monitoradas e avaliadas periodicamente.
 
“A ideia é selecionar 100 pessoas, principalmente da população de Mariana e Governador Valadares, em Minas Gerais. Não é necessário fazer essas avaliações ao longo de todo o rio, porque o resultado que der em uma ponta, é o mesmo que vai dar no final”, explicou.
Em nota, a Samarco disse que, "proveniente do processo de beneficiamento do minério de ferro, o rejeito é composto basicamente de água, partículas de óxidos de ferro e sílica (ou quartzo). É classificado como material inerte e não perigoso, conforme norma brasileira de código NBR 10004-04, o que significa que não apresenta riscos à saúde pública e ao meio ambiente.”

Fonte: G1 - Naiara Arpini - 16/12/2015

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Câmara - Exposição a agrotóxicos pode causar câncer e mal de Parkinson, alerta Inca


Gustavo Lima - Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente. Dep. Augusto Carvalho (SD-DF)
Augusto Carvalho criticou o aumento do uso de agrotóxicos no Brasil
Exposição prolongada a agrotóxicos pode causar desde irritações na pele, vômitos e alergias, a mal de Parkinson e câncer. Os dados alarmantes foram apresentados pela representante do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Marcia Sarpa, em audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
O debate, solicitado pelo deputado Augusto Carvalho (SD-DF) para discutir os impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente, foi realizado na quinta-feira (3), quando é comemorado o Dia Mundial de Luta contra os Agrotóxicos. A data foi escolhida em memória da tragédia de Bhopal, na Índia, em 1984, quando houve um vazamento de cerca de 40 toneladas de gases letais de uma fábrica de agrotóxicos. O desastre provocou a morte de mais de sete mil pessoas.
Márcia Sarpa explicou que as baixas doses e as exposições múltiplas às substâncias desregulam o sistema imunológico e são responsáveis por mutações no DNA que podem levar ao câncer. Segundo ela, acreditava-se que a maioria dos casos da doença era proveniente de fatores genéticos, mas hoje já se tem entendimento que 80% a 90% dos casos de câncer estão relacionados a fatores biológicos, físicos e químicos. Sarpa afirma que a prevenção é possível.
"Uma das medidas urgentes no Brasil é o cumprimento da legislação, porque a Lei dos Agrotóxicos [7.802/89] é bem rigorosa quando fala que agrotóxicos mutagênicos, carcinogênicos e teratogênicos não podem ser registrados no Brasil. Então vamos cumprir a lei, proibir a pulverização aérea e o uso de agrotóxicos proibidos em outros países. Nós não somos o lixo do mundo", afirmou.
O coordenador do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, Pedro Luiz Gonçalves Serafim da Silva, acrescentou que a proposta de emenda à Constituição (PEC491/10) que proíbe a criação de imposto incidente sobre insumos agrícolas é um retrocesso.
Para Augusto Carvalho o atual modelo brasileiro de produção de commodities tem provocado várias tragédias no país. "Tragédias é o que marca o nosso tempo. Enquanto o Brasil continuar com esse modelo de grande produtor e exportador de commodities, nós vamos ter as mineradoras fazendo o que fizeram agora em Mariana e outras tragédias poderão acontecer. E a produção de grãos de commodities podem também estar levando a uma tragédia invisível e pouco dimensionada", declarou o deputado.
Preocupado com o aumento do uso de agrotóxicos no País nos últimos anos, Carvalho também formulou um abaixo-assinado requisitando a implementação do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). O programa faz parte da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Decreto 7.794/12).
Fonte: Agência Câmara de Notícias