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quarta-feira, 30 de março de 2016

Governo vai recomendar uso da pílula do câncer como suplemento alimentar

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil*
Brasília - O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, durante entrevista coletiva sobre os primeiros resultados das pesquisas com a fosfoetanolamina, usada no tratamento do câncer (Marcelo Camargo
Celso Pansera fala sobre os primeiros resultados das pesquisas com a fosfoetanolamina, usada no tratamento do câncerMarcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, disse hoje (30) que o governo buscará a autorização para venda e legalização da fosfoetanolamina como suplemento alimentar. “Nossa proposta é que seja legalizado como suplemento alimentar para tirar a substância do mercado paralelo. Que ganhe as prateleiras das farmácias e lojas especializadas”, disse ele, sobre a substância que ficou conhecida popularmente como a “pílula do câncer”.

“Se a substância vier a ser suplemento, ela não substitui nenhum tratamento médico e medicamentos já com eficácia comprovada contra a doença”, ressaltou o ministro.

Essa recomendação será feita porque o composto produzido pela Universidade de São Paulo (USP) não é tóxico, segundo Pansera. Ele afirmou que, como há demanda da população pela legalização da substância, o melhor caminho é autorizar sua venda como suplemento alimentar até que se concluam as pesquisas que investigam sua eficácia contra o câncer.

“As pessoas estão consumindo essa pílula, não sei de onde, não sei como, e isso está mitificando a substância. Existem defesas apaixonadas contra e a favor. Existe lei aprovada, veja a dimensão. O nosso objetivo é jogar a luz da ciência sobre o fato”, disse.

O ministro se reuniu na manhã de hoje (30) com parlamentares e pesquisadores para tratar do tema e disse que vai encaminhar a recomendação tanto para o Congresso Nacional quanto para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele informou que a Anvisa investigou o que há sobre a fosfoetanolamina pelo mundo e não existe solicitação de patente e nem estudos em aberto com a substância, seja como alimento, suplemento alimentar ou medicamento.

Histórico
Sintetizada há mais de 20 anos, a fosfoetanolamina sintética foi estudada pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice, hoje aposentado, quando ele era ligado ao Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros da USP, campus de São Carlos. Algumas pessoas tiveram acesso gratuito às cápsulas contendo a substância, produzidas pelo professor, porém sem aprovação da Anvisa. Esses pacientes usavam a pílula como se fosse um medicamento contra o câncer.

No dia 22 de março, o Senado aprovou o projeto de lei para resolver essa questão do acesso e que garante aos pacientes com câncer o direito de usar a fosfoetanolamina, mesmo antes de ela ser registrada e regulamentada pela Anvisa. O projeto está nas mãos da presidenta Dilma Rousseff, para sanção ou veto. O ministro Pansera não quis comentar a provação do projeto.Em junho de 2014, uma portaria da USP determinou que substâncias em fase experimental deveriam ter todos os registros antes de serem distribuídas à população. Desde então, pacientes que tinham conhecimento das pesquisas passaram a recorrer à Justiça para ter acesso às pílulas.

A Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) se manifestou, em nota, dizendo que não apoia a legalidade da chamada pílula do câncer. A Anvisa também se posicionou dizendo que vê com preocupação a aprovação do projeto, já que a fosfoetanolamina é uma substância utilizada há 20 anos de maneira ilegal e que nunca foi testada de acordo com as metodologias científicas internacionalmente utilizadas para comprovar sua segurança e eficácia.

Assim, diante da expectativa gerada em torno do efeito antitumoral da fosfoetanolamina, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação criou, no ano passado, um grupo de trabalho para testar a chamada pílula do câncer. O objetivo é investigar os efeitos da substância e esclarecer se ela é efetiva no combate à doença.

Fase de testes
O Ministério da Saúde tem R$ 10 milhões em recursos para serem usados nas pesquisas, sendo que R$ 2 milhões já foram gastos, segundo o ministro.

O conjunto de experimentos in vitro feitos para testar a toxicidade da pílula mostraram que o composto possui 32% de fosfoetanolamina e o restante de monoetanolamina e outros sais, resultantes da sintetização da substância. Nenhum deles é tóxico, segundo o ministro, se administrados na quantidade estabelecida pela USP, três cápsulas de 330 miligramas cada, por dia.

A fase de testes com animais também já está concluída e o relatório com os resultados avançados deve ser divulgado entre 15 e 20 de abril, segundo Pansera. Nessa fase, tanto o composto, quanto as substâncias separadas foram testadas para câncer de pâncreas e melanoma. “Nossa ideia é continuar as pesquisas e seguir os testes nas fases pré-clínica e clínica, com seres humanos”, adiantou o ministro. “Tudo que estamos fazendo segue o roteiros necessário para comprovação de um medicamento”, completou.

Fabricação do suplemento
Pansera explicou que a Anvisa tem um processo específico de liberação de suplementos alimentares e, caso seja legalizada a utilização da fosfoetanolamina dessa forma, o ministério irá procurar o laboratório habilitado pelo governo de São Paulo para produzir a pílula. Se não houver interesse desse laboratório, o ministro disse que algum instituto público de pesquisa poderá escalonar a produção, até que o mercado se ajuste à demanda.


Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ALEP - Assembleia Legislativa debate uso da pílula do câncer na terça, 24

Audiência pública solicitada por Nereu Moura vai debater o fornecimento
da pílula do câncer no Paraná, sem necessidade de medida judicial
A Comissão de Saúde Pública da Assembleia Legislativa promove na próxima terça-feira, 24, uma audiência pública para debater a produção ou um convênio de fornecimento da pílula do câncer no Paraná, sem a necessidade de medida judicial. O ato, a partir das 10h no Auditório Legislativo, atende requerimento do deputado Nereu Moura, líder do PMDB na Assembleia Legislativa.

A Fosfoetanolamina Sintética foi descoberta nos laboratórios do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), de São Carlos, por uma equipe de pesquisadores chefiada pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice. A substância ficou conhecida como “pílula do câncer”, pela suposta capacidade de destruir tumores malignos.

“Porém, seu uso atualmente só é permitido através de medida judicial”, informa Nereu Moura. O parlamentar destaca que a liberação para o uso do medicamento, por pacientes com tumores malignos, vem ganhando força nos últimos meses, através de relatos de pessoas que dizem terem obtidos resultados expressivos no combate a doença.

Participação Para a audiência, confirmada nesta terça-feira (17) pelo presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Batista (PMN), serão convidados à sociedade civil organizada e autoridades públicas como os secretários estaduais de Saúde e de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

No requerimento, Nereu Moura também defende a convocação dos reitores das universidades públicas e servidores ligados à área da pesquisa, além do reitor da USP, Marco Antônio Zado e o diretor do Instituto de Química da USP-São Carlos, Germano Tremiliosi Filho, o pesquisador Salvador Claro Neto e envolvidos com o tema do estado de São Paulo.

Ainda na manhã desta terça, o líder do PMDB tratou com representantes do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), a participação de representantes da categoria na audiência. “A intenção é esclarecer à sociedade paranaense sobre a possibilidade de fornecimento da fosfoetanolamina sintética a pacientes com câncer”, disse.

O deputado também quer aprofundar na discussão sobre a possibilidade do medicamento ser produzido nas universidades públicas do Paraná ou mesmo aquisição do mesmo, considerando que a Fundação para o Remédio Popular (Furp) mantém convênio com a Concessionária Paulista de Medicamentos.

SERVIÇO:O que: Audiência pública para discutir a pílula do câncer no Paraná
Dia e horário: 24 de novembro, a partir das 10h
Local: Auditório Legislativo da Assembleia do Paraná


Foto: Pedro de Oliveira/Alep

Fonte: Assessoria de Imprensa/ Ronildo Pimentel