O presidente da FENAM explica que o Dr. Zequinha se identifica com a visão da entidade, preocupada com a valorização dos direitos humanos.
Desta vez a comenda Charles Damian, uma homenagem da Federação Nacional dos Médicos (FENAM) a nomes representativos, é dedicada a um ícone da luta pela democracia brasileira. José Ferreira Lopes, mais conhecido como Dr. Zequinha, é reconhecido por liderar o movimento estudantil na época da ditadura. A condecoração foi entregue na solenidade de 1º de maio, em festividade ao Dia do Trabalhador. Imortalizado na foto que rendeu o Prêmio Esso de Fotojornalismo de 1968 a Edson Jansen, Lopes continua sua caminhada de militante ativo nos dias de hoje. No clique premiado, o protagonista enfrentava corajosamente a cavalaria do exército com um estilingue.
"Para mim, uma homenagem como essa não é pessoal. Se refere a todos que lutaram e lutam por liberdade, muitos dos quais não viveram para ver o fim daquela ditadura", desabafou Lopes.
O presidente da FENAM, Geraldo Ferreira, explica que o Dr. Zequinha se identifica com a visão da entidade, preocupada com a valorização dos direitos humanos.
"Pessoa como o Lopes, que possui uma história digna de reconhecimento e ainda continua comprometido com batalhas em torno das questões sociais, onde está incluída a saúde, merecem o nosso prestígio. É exemplo que precisa receber em vida uma homenagem para dizer que valeu a pena!".
Ferreira completa que o contexto se refere à defesa do médico com condições de trabalho adequadas em prol de prestar um atendimento digno à comunidade.
Participaram da solenidade, além dos dirigentes da FENAM e dos Sindicatos Médicos de todo o País, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), o Senador Paulo Davim, o presidente da Associação Médica Brasileira, Florentino Cardoso, e também foi realizada a posse do presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP), Jarbas Simas.
Breve histórico
Paulista, nascido em 1942, Zequinha foi importante liderança no movimento estudantil. No ano de 1965 foi cursar Medicina na Universidade Federal do Paraná (RFPR). Vice-presidente da União Paranaense dos Estudantes, liderou as manifestações de 1968, que incluíram a tomada da Reitoria da UFPR, iniciativa então inédita no Brasil.
Militante da Ação Popular (AP) a partir de 1967, atuou na organização clandestina em São Paulo 2 anos depois e no movimento operário de Belo Horizonte em 1970 e 1971, quando foi preso e torturado. Filiado ao PCdoB em 1972, morou e trabalhou na Bahia a serviço do partido, integrando um sistema de apoio à guerrilha do Araguaia. Em 1976, após o assalto dos militares à reunião do Comitê Central do PCdoB, em São Paulo, no que ficou conhecido como a Chacina da Lapa, Zequinha perdeu contato com o partido.
De volta a Curitiba, em 1980, retomou o curso de Medicina, formando-se em 1984. De lá para cá vem participando intensamente da vida política do Estado, ocupando várias posições na direção estadual do PCdoB paranaense, inclusive a presidência, entre 1992 e 1995. Hoje, aposentado como médico, continua militando no movimento sindical. Participa da diretoria do Sindicato dos Médicos do Paraná e também da Fenam Regional Sul Brasileira.
Assista ao vídeo sobre a solenidade de comemoração do 1º de maio da FENAM:
Assista ao vídeo com a homenagem da FENAM e o discurso do Dr. Zequinha:
Fonte e foto: FENAM e SINMED RN
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