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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Recomendação do CFM visa atenção a protocolos para o reconhecimento precoce da sepse e conscientização de profissionais



O Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta que em todos os níveis de atendimento à saúde (de unidades básicas
de saúde a unidades de terapia intensiva) sejam estabelecidos protocolos assistenciais visando o reconhecimento 
precoce e a pronta instituição das medidas iniciais de tratamento aos pacientes com sepse, também conhecida como 
infecção generalizada – de alta mortalidade no país, principal causa de morte nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), 
e a principal geradora de custos nos setores público e privado.

A diretriz está na Recomendação 6/2014, publicada hoje, que, entre outras providências, sugere ainda a capacitação
dos médicos para o enfrentamento deste problema cada vez mais incidente – devido ao aumento da população idosa
e do
número de pacientes imunossuprimidos ou portadores de doenças crônicas, criando uma população suscetível para o desenvolvimento de infecções graves.

O documento ressalta que “qualquer processo infeccioso pode evoluir para gravidade, caracterizando o quadro de
sepse, sepse grave ou choque séptico” e que a sepse é a principal causa de internação em unidades de terapia
intensiva, com custos elevados de tratamento e alta mortalidade – matando uma em cada quatro pessoas 
(frequentemente mais).

Alta mortalidade – O Instituto Latino Americano da Sepse (ILAS), que contribuiu para a elaboração da recomendação,
concluiu recentemente um estudo, que ajuda a dar a dimensão do problema no Brasil. O trabalho, denominado
SPREAD (Sepsis Prevalence Assessment Database), consistiu na avaliação, em um único dia, de 229 UTI em vários
estados, abrangendo 794 pacientes.

Os números pontuam a relevância do problema. Foi constatado que 29,6% dos leitos estavam ocupados por doentes
com sepse grave ou com choque séptico. Desses pacientes, 55,7% morreram. A mortalidade na região Sudeste foi de
51,2%; no Centro-Oeste, 70%; Nordeste, 58.3%; Sul, 57,8% e Norte, 57,4%. O índice de letalidade está muito acima do registrado em outros países. Na França essa taxa é de 30% e, nos Estados Unidos, 29%.

O SPREAD mostrou que são fatores ligados ao aumento da mortalidade são a limitação de recursos básicos, a
gravidade do paciente, e a demora na administração da primeira dose de antibióticos.

Diagnóstico difícil atrasa tratamento – Como os sintomas da sepse são comuns a várias outras doenças, o diagnóstico
pode demorar e, consequentemente, a aplicação do antibiótico e a possível cura. “Existe um problema de falta de
conhecimento sobre a sepse, pois como os sintomas são inespecíficos, é difícil identificar os sinais de alerta e tratar a
infecção no tempo certo, por isso é tão necessário a participação em cursos e a adesão dos hospitais aos protocolos”, 
afirma a vice-presidente do ILAS, intensivista Flávia Machado.

Apesar de a sepse atacar com mais frequência pacientes hospitalizados, em cerca de 30% a 50% dos casos a infecção
é adquirida na comunidade e o paciente é internado já em estado grave. Isso sugere o desconhecimento do público
em geral sobre a gravidade da doença. Pesquisa nacional realizada ano passado pelo ILAS − em parceria com o 
Instituto Datafolha − mostrou que de 2.126 entrevistados, apenas 140 (6,6%) tinham ouvido o termo sepse, sendo 
que dessas,só 56 a identificaram corretamente como uma resposta grave do organismo a uma infecção.

Até pouco tempo, a maior parte dos pacientes com sepse morria. Recentemente, com a melhoria dos cuidados
hospitalares e a adoção de medidas − muitas delas simples − capazes de reduzir a incidência da doença, esse número 
tem se reduzido. Nesse sentido, a recomendação do CFM se coloca como mais um estímulo e um meio para aumentar 
a percepção sobre a gravidade da sepse, tanto entre profissionais como entre instituições de saúde, comunidade 
científica e inclusive leigos, estimulando a implementação de ações de enfrentamento ao problema.

Fonte: Portal CFM