As explicações são de Jerusa Miqueloto, oncologista e hematologista
O câncer já foi considerado uma doença de países desenvolvidos. Mas nos últimos 40 anos houve um aumento na incidência e mortalidade nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), as estimativas preveem um número de mais de 500 mil novos casos de câncer por ano.
Um dos temas debatidos são os exames complementares na área da oncologia, como os marcadores tumorais. De acordo com Jerusa Miqueloto, oncologista e hematologista do Laboratório Frischmann Aisengart, estes marcadores são substâncias detectadas principalmente no exame de sangue e que aumentam na presença de tumores malignos.
A especialista explica que os marcadores tumorais, em sua maioria, são proteínas ou pedaços de proteínas produzidas diretamente pelo tumor ou pelo organismo, em resposta à presença do tumor. Eles têm sido usados como apoio no diagnóstico, detecção de recidivas, além de ajudar na decisão do tratamento a ser feito. “Eles são exames laboratoriais que ajudam o médico prioritariamente no acompanhamento de pacientes com diagnóstico já estabelecido de alguns tipos de câncer, mas não são indicados para o diagnóstico inicial de alguns tipos de neoplasias, como o câncer de mama e de ovário, por exemplo”, diz a Dra. Jerusa.
Por isso, os testes para marcadores tumorais costumam ser feitos junto com outros exames para detectar e diagnosticar alguns tipos de câncer, pois a maioria dos marcadores pode ser encontrada em níveis elevados em pacientes que têm condição não cancerosa ou, ainda, porque nenhum marcador tumoral é totalmente específico para um tipo particular de câncer. Além disso, nem todos os pacientes com câncer têm um nível elevado de marcador tumoral. “Mas o uso de marcadores tumorais é considerado um avanço médico e a tendência é que eles sejam cada vez mais específicos para um determinado tipo de câncer e que possam ser utilizados para detectar a presença do câncer antes dos primeiros sintomas”, revela a oncologista.
Alguns marcadores tumorais de valor clínico reconhecido:
Marcador: Problemas Específicos
Antígeno carcinoembrionário: Tumores do trato gastrointestinal
Alfafetoproteína: Tumor do fígado, tumores embrionários
Gonadotrofina coriônica: Tumores embrionários e placentários
Tirocalcitonina: Carcinoma medular de tiroide
Beta-2- Microglobulina: Mieloma múltiplo e linfoma maligno
CA 125: Carcinoma de ovário
CA 15-3: Carcinoma de mama
CA 19-9: Carcinoma de pâncreas, vias biliares e tubo digestivo
CA 72-4: Carcinoma de estômago e adenocarcinoma mucinoso de ovário
HTG: Carcinoma de tireoide
PAP: Carcinoma de próstata
PSA: Carcinoma de próstata
SCC: Carcinoma epidermoide do colo uterino, cabeça e pescoço, esôfago e pulmão
TPA: Carcinoma de bexiga
Fonte: LabFa
