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sábado, 11 de julho de 2015

Menos de 30% das vagas para médicos de família são preenchidas no país

Foto:ABr

A medicina de família e comunidade representa apenas 8% do total de vagas de residência médica no país e menos 30% destas têm sido ocupadas. Os dados são da Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Educação e se referem ao ano de 2015.
De um total de 1520 vagas ofertadas para o programa de residência em medicina de família e comunidade, apenas 400 foram preenchidas.
A carência desses médicos no sistema de saúde pública brasileiro é o mote do 13º Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, que começou dia (8), em Natal (RN), com palestras e debates previstos até domingo (12).
Para o médico Thiago Trindade, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, faltam políticas públicas mais elaboradas para garantir equipes da Estratégia de Saúde da Família com a maioria de médicos de família qualificados.
“Em países que tem uma atenção primária forte, como Espanha, Portugal, Canadá, Cuba e Inglaterra, cerca de 40% das vagas de residência são para medicina de família. Assim, eles conseguem sustentar o sistema de saúde deles, voltado para a prevenção”, conta. “Nesse países, a residência em medicina de família e comunidade é obrigatória para você trabalhar na atenção primária do sistema de saúde. No Brasil não”, diz ele, que defende a obrigatoriedade aqui também.
Trindade destaca que o país vêm ampliando as vagas de residência, como um todo, mas a medicina de família e comunidade é pouco divulgada e reconhecida no meio acadêmico, além de receber pouco estímulo financeiro, visto que não é rentável como outras áreas da medicina.
“Hoje, o recém-formado em medicina se preocupa muito com a valorização da especialidade no mercado. E ainda tem a falta de infraestrutura nos locais de atendimento. É preciso dar condições dignas de trabalho para que esse médico faça um trabalho qualificado na atenção primária. Os municípios que têm vínculos empregatícios sólidos, com planos de carreira, infraestrutura e equipamentos, conseguem atrair médicos para a Estratégia de Saúde da Família”.
A médica de família Neuma Marinho se diz “encantada” com a carreira, apesar das adversidades. Formada em pediatria há 21 anos, ela lamenta não ter tido nenhum contato com a atenção básica na faculdade que cursou no Rio Grande do Norte. Atualmente, ela também é professora dessa cadeira na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Valorizar o profissional é o maior desafio do país para garantir uma atenção básica de qualidade. “A maioria dos meus alunos se surpreende com as atividades que desenvolvemos em uma unidade básica com recursos reduzidos, adversidades extremadas, com violência. Eles dizem que querem fazer medicina com qualidade, mas, com um mínimo de reconhecimento, de qualidade de vida”, relata. “E se remuneração, que é uma forma de reconhecimento, não ocorre a contento, naturalmente, os profissionais acabam buscando algo que lhe dê um retorno maior”.
A bolsa para a residência médica em unidades públicas pagas pelo Ministério da Saúde e da Educação é de cerca de R$ 3 mil. Alguns municípios – que são os responsáveis pela atenção primária no sistema público - complementam a bolsa para quem optar por fazer residência de família e comunidade.
O Rio de Janeiro é um caso de sucesso. As 100 vagas de residência de especialização em atenção primária foram preenchidas esse ano, pois a Secretaria Municipal de Saúde oferece mais R$ 7 mil reais complementares à bolsa federal, para tornar a especialidade mais atraente.

Florianópolis e Curitiba são as outras duas cidades referências na atenção básica de qualidade no país. “Infelizmente, na maior parte do país, faltam equipamentos e informatização para transformar nosso trabalho mais resolutivo. A atenção básica pode resolver 80% a 90% dos problemas das pessoas, mas sem um mínimo de infraestrutura e equipamento, essa capacidade cai para 60% e acabamos temos que encaminhar o paciente para outras especialidades, quando ele poderia ter sido cuidado na atenção primária”, disse Trindade.
Fonte: Portal EBC

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade trará debate sobre Atenção Primária à Saúde

13ª edição do evento será realizada em Natal, Rio Grande do Norte, entre os dias 8 a 12 de julho

 
O Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, promovido pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), terá como tema central da sua 13ª edição a Atenção Primária à Saúde (APS) o foco “Não há SUS sem APS. Não há APS sem MFC”. O evento será realizado entre os dias 8 e 12 de julho, em Natal, no Rio Grande do Norte. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas com pagamento online até o dia 25 de junho pelo portal:http://www.cbmfc2015.com.br/.
“E entre os destaques do congresso estão as mesas redondas sobre temas capitais para a APS, como: acesso à saúde, provisão médica, Telessaúde, história da MFC no Brasil, além das oficinas de capacitação sobre várias habilidades individuais, familiares e comunitárias”, explica Ricardo André Freire de Souza, presidente do CBMFC.

Sobre as participações internacionais, estarão presentes Sérgio Minué, MFC de Andaluzia, na Espanha; o presidente da World Conference of Family Doctors (Wonca), Michael Kidd; que irão compartilhar suas experiências sobre a atuação da especialidade em outros países.
 Souza ainda reforça que o MFC ou médico generalista deve participar do congresso, pois se trata de uma oportunidade única de intercâmbio de informações e tecnologias. Além disso, o participante irá desfrutar de atualizações clínicas praticamente durante todos os dias do congresso. Na área cultural, haverá exposição de fotos, poesias, vídeos e cantigas, cujas inscrições ainda estão abertas.


 Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade
 Data: de 8 a 12 de julho de 2015
Local: Centro de Convenções de Natal - Avenida Dinarte Mariz, S/N - Via Costeira Natal – Rio Grande do Norte.
Programação e mais informações: www.cbmfc2015.com.br.


Fonte: SBMFC

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Médico de família pode lidar com até 90% dos problemas dos pacientes

Capacitado para atender a pacientes desde o nascimento, os médicos de família, em um sistema estruturado, podem lidar com até 90% dos problemas de saúde. A ideia central dessa especialidade é conhecer e acompanhar o paciente por toda a vida, o que lembra a figura do médico de confiança.

Hoje (5), Dia do Médico de Família e Comunidade, Thiago Trindade, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), avalia que a cultura brasileira ainda é muito voltada para o atendimento do médico especialista, mas que a tendência, tanto da rede pública quanto da privada, é mudar esse cenário. A especialidade está no Brasil há 33 anos.

O médico que faz residência em medicina de família pode acompanhar, por exemplo, crianças, fazer prevenções ginecológicas, urológicas e, caso veja necessidade, encaminhar o paciente para um especialista. Em alguns países, esse profissional é chamado de clínico geral, médico generalista. Segundo especialistas, no Brasil esses termos viraram sinônimo de médico que não fez residência.

A ideia do Sistema Único de Saúde é baseada no médico de família, porém, de acordo com Trindade, a falta de profissionais especializados na área de medicina de família, ligada à falta de estrutura, acaba tornando a unidade básica de saúde um lugar de encaminhamento de pacientes para especialistas. Muitos países europeus e o Canadá usam um sistema baseado na medicina de família. Nesses lugares, cerca de 95% das pessoas têm seu médico generalista de confiança.

Apesar disso, há municípios como o Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis que estão ampliando a atenção básica nesse profissional. Trindade lembrou que cerca de 35 mil profissionais atuam no Brasil como generalistas, a maioria na rede pública, mas apenas 5 mil têm a formação de medicina de família.

Gustavo Gusso, médico de família professor da Universidade de São Paulo, conta que recentemente as operadoras de planos de saúde estão vendo que o sistema baseado nessa especialidade, além de atuar na prevenção, ainda pode trazer economia para a empresa. “Como conhecemos os pacientes, acompanhamos o histórico e as tendência familiares, não pedimos exames desnecessários, olhamos o paciente como um todo”.

Segundo Gusso, há uma tendência de os planos de saúde criarem grupos e até estímulo financeiro para que os beneficiários se liguem a um médico de família e só procurem o especialista quando encaminhados pelo profissional generalista.

Quando terminou a faculdade em 2002, Rodrigo Lima ficou indeciso sobre que especialidade seguir. Atuando em uma unidade básica de saúde do Recife, ele decidiu que queria ser médico de família.

Hoje, Lima atende a cerca de 3 mil pessoas na Unidade de Saúde da Família do bairro recifence de Alto José do Pinho. “Quando comecei meu trabalho em Alto José do Pinho, há cerca de um ano, os pacientes já vinham para a consulta pedindo para encaminhar ao especialista, mas com o tempo foram vendo que eu podia resolver muita coisa ali mesmo. Foram criando confiança e agora atendo a famílias inteiras”, conta.

Segundo a SBMFC, o Brasil dispõe de 120 programas de residência em medicina de família, mas muitas vezes as vagas não são preenchidas. Segundo Trindade, a falta de interesse dos recém-formados vem muito da falta de conhecimento da especialidade. Lima atribui também a uma remuneração baixa em relação às outras especialidades.

Uma unanimidade entre Trindade, Gusso e Lima é que os médicos de família são profissionais apaixonados pelo que fazem.

Fonte: Agência Brasil