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quinta-feira, 26 de março de 2015

Médica negra e com dreads acusa secretária de saúde de racismo no interior do Paraná

O cabelo de uma médica contratada pelo programa Mais Médicos virou alvo de denúncia de racismo por parte da clínica geral Thatiane Santos da Silva, deslocada para prestar serviços na cidade de Santa Helena. A médica chegou à cidade no dia 6 de março e começou a trabalhar ontem. Na quinta-feira (19), no entanto, ela foi chamada para uma reunião com a secretária Terezinha Madalena Bottega que teria como pauta a organização das atividades a serem desenvolvidas dentro do programa Saúde da Família.
A médica, que é brasileira com graduação em Cuba e teve diploma reconhecido pelo Revalida, denunciou que ficou surpresa ao chegar para a reunião e ouvir da secretária que precisava falar sobre o cabelo estilo dreadlocks da profissional. Thatiane postou uma mensagem no blog “Ofensiva Negritude” sobre o que aconteceu na reunião com a secretária e uma assessora direta de Terezinha e pelas redes sociais a mensagem se espalhou rapidamente.
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(Foto: Reprodução CGN)
Segundo a médica, a assessora da secretária teria perguntado se ela usava aplique porque o cabelo exalava um cheiro forte e que Terezinha teria completado dizendo que parecia odor de incenso. As duas teriam dito à Thatiane que os pacientes estavam acostumados com outro “padrão de médicos” e que ela poderia encontrar dificuldades pelo preconceito que pacientes poderiam ter em função do cabelo. “Sinceramente me senti sim discriminada, posto que o que pensam a respeito da minha aparência é pessoal de cada indivíduo, porém não necessariamente deve ser verbalizado sem saber que podem gerar consequências para além das legais, psicológicas, físicas, mentais e espirituais”, afirmou pelas redes sociais.
Thatiane faz questão de dizer que é preta, africana, mulher, de dreadlocks e médica. “Quer queiram, quer não”. Ela contou que na reunião disse à secretária que mais de 50% da população brasileira é composta por negros e que discriminação e preconceito não iria influenciar em sua capacidade profissional e na relação com os pacientes. Ela completou dizendo que não gostaria de ouvir comentários sobre seu cabelo. “Cada pessoa deve ser respeitada independentemente de seu cabelo, cor da pele, crenças ou escolhas pessoais”, declarou. Depois disso, aí sim, a secretária começou a falar sobre as ações de saúde que ela irá desenvolver.
A secretária de saúde, Terezinha Madalena Bottega, confirmou a reunião com a médica, disse que tudo o que a Thatiane colocou na postagem realmente aconteceu no encontro, mas negou que tenha sido um ato de racismo. “Não foi nenhum ato de racismo da nossa parte. A gente quis alertá-la de possíveis comentários porque não estamos acostumados a esse tipo de visual”, afirmou. Ela disse ainda que como gestora se sente no direito de organizar o serviço e auxiliar Thatiane como médica, em tudo o que for possível.
Para ler a matéria completa na CGN clique aqui.
Fonte: BandaB

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Imprensa regional publica artigos de conselheiros federais sobre prática de racismo no SUS

O jornal goiano O Popular publicou, na edição do dia 20 de janeiro, o artigo O racismo é do Ministério da Saúde, de autoria do conselheiro federal representante do Estado no Conselho Federal de Medicina (CFM), Salomão Rodrigues Filho e do hematologista e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, Rodrigo do Tocantins Calado. Também o artigo do conselheiro federal representante do Estado do Paraná, Donizetti Dimer Giamberardino Filho, foi publicado no início do mês no jornal paranaense Gazeta do Povo. Os textos tratam sobre a campanha do Ministério da Saúde contra o racismo no SUS.
Lançada em novembro do ano passado, a iniciativa buscou envolver usuários do SUS e profissionais de saúde no enfrentamento ao racismo institucional. O tom da campanha recebeu o repúdio do CFM e foi retirada de circulação. À época do lançamento, a autarquia publicou nota em que apontou a necessidade de que fossem considerados os problemas estruturais do SUS, como o financiamento limitado, o fechamento de leitos, a falta de insumos e medicamentos e a ausência de uma política de recursos humanos; temas ignorados pela ação publicitária. “São essas as causas do mau atendimento para a população, não importando questões de gênero, classe social ou etnia”, defende a nota.
O racismo é do Ministério da Saúde – A campanha do governo explorou temas como o sofrimento de brasileiros com doença falciforme, predominante em negros. O artigo publicado na imprensa goiana denunciou a contradição no discurso do Ministério da Saúde. O texto ressalta que a doença pode ser curada por meio do transplante de medula óssea e que o procedimento não é oferecido pelo SUS. Apesar “do benefício claro do transplante para pessoas que sofrem dessa doença, o Ministério da Saúde vem procrastinando essa decisão e não há previsão de quando deverá ser autorizado o tratamento que cura a anemia falciforme para os pacientes”, afirma.
Discriminação racial e a saúde pública - O artigo questiona a “construção de relações de desconfiança e hostilidade entre a população e as equipes de saúde responsáveis por seu bem-estar”, incitada pela campanha do governo. A análise defende a garantia de “adequadas condições de trabalho e atendimento aos cidadãos” e aponta: “mesmo diante da carência de recursos para viabilização das políticas de saúde estabelecidas pelo governo federal, toma-se a decisão política de alocar recursos para a promoção de peças publicitárias que sequer apresentam base estatística para justificar sua veiculação”.
Os artigos publicados na imprensa regional também estão disponíveis no Portal Médico e podem ser acessados nos links acima e abaixo:

Fonte: Portal CFM