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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Senado - Comissão aprova projeto que reduz para 30 horas jornada de peritos médicos do INSS

O projeto que altera a jornada de trabalho dos médicos
peritos do INSS é de autoria da senadora Ana Amélia
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, na quarta-feira (6), projeto que reduz de 40 horas para 30 horas semanais a jornada dos médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Emenda do relator, senador Waldemir Moka (PMDB-MS), incluiu no texto do PLS 120/2014 a garantia de que a redução na jornada de trabalho não implicará diminuição da remuneração.
A autora da proposta, senadora Ana Amélia (PP-RS), lembra que as atividades de perito médico previdenciário e de supervisor médico-pericial exigem alto grau de qualificação e que esses profissionais sujeitam-se a um nível significativo de estresse, com riscos à sua integridade física e emocional. A seu ver, a redução da jornada terá como resultado a melhoria na qualidade e na eficiência do atendimento pericial.
Segundo Moka, a redução da jornada visa harmonizar o direito constitucional que os médicos têm de exercerem cumulativamente dois cargos públicos.
O relator pondera que a jornada de 40 horas, estabelecida pela Lei nº 11.907/2009, praticamente inviabiliza o direito à acumulação de cargos, o que tem gerado inúmeros conflitos entre médicos peritos e o INSS. Daí a necessidade de alterar a lei vigente.

Jornada de trabalho

Ainda de acordo com o relator, a mudança proposta no projeto não terá impacto orçamentário, pois a redução da jornada desses profissionais já vem sendo implementada por força de ato administrativo do INSS (Resolução 336/2013). Moka salientou que é necessário mudar a lei porque a opção por 30 horas — seis horas diárias corridas — só pode ocorrer se houver interesse por parte do órgão.
Segundo ele, dos 5.200 médicos peritos do INSS, 3.200 já possuem um segundo emprego.
— Os peritos têm outro emprego porque a remuneração paga pelo INSS é insuficiente para que se mantenham — destacou.

Voto contrário

A matéria, que ainda será submetida à análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), recebeu voto contrário do senador José Pimentel (PT-CE). Ex-ministro da Previdência Social, ele disse que a jornada de seis horas pode ser muito boa para os profissionais das carreiras de perícia, mas péssima para os trabalhadores em geral.
— Precisamos ter em determinadas unidades uma jornada integral, não de seis horas, pois essa não cabe na jornada dos trabalhadores — justificou.
Pimentel disse que o INSS chegou a ser acionado pelo Ministério Público Federal por causa da manutenção da jornada reduzida, diferente da previsão de oito horas diárias, como previsto no Regime Único do Servidor. Ele reconheceu, contudo, que médicos podem optar por jornada especial reduzida, mas com remuneração proporcional.
O senador disse esperar que o mérito do projeto seja mais bem avaliado na CCJ. Moka observou que o debate é positivo, mas que o próprio INSS tem a perder com a manutenção da jornada de oito horas. Nesse caso, afirmou que a tendência dos peritos médicos é pedir exoneração, buscando empregos que garantam jornadas mais flexíveis ou em jornada ampliada, mas com salários melhores.
— Sabemos que médicos ganham de prefeituras [salários] de R$ 20 mil a R$ 30 mil — destacou.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Fonte: Agência Senado 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

“Governo quer cansar os peritos mas antes vai matar de cansaço os segurados”


               Foto: Divulgação 


Frase de Alexandre Garcia resume bem situação da greve dos peritos médicos, em greve há 4 meses. O governo, de forma absolutamente irresponsável, está preterindo a necessidade de dois milhões de cidadãos por causa de um preconceito com uma categoria ao qual eles se recusam a dar a devida importância.
 
Insensível ao drama da população, já que entre segurados, familiares, dependentes, amigos, colegas de trabalho e patrões, cerca de 20 milhões de brasileiros estão diretamente afetados pela greve, o governo insiste em não negociar, em querer humilhar a categoria pericial e castigá-la por ter ousado se levantar em greve contra o desmanche da carreira.
 
Os peritos médicos, bravos, unidos, fortes e sob a liderança de sua entidade representativa, estão caminhando há 4 meses nessa longa marcha por justiça e reconhecimento, sendo sangrados por coações, assédios e maldades que comprovam que a diretoria do INSS nutre um profundo ódio por nós e por nossa carreira.
 
A diretoria do INSS, ao invés de se preocupar em gerir os problemas da autarquia, se tornou no principal problema da autarquia, pois dela emana todos os comandos erráticos que levaram o Instituto ao solo, colapsado em sua infra-estrutura, capital e gestão. O recente incêndio em uma APS do Maranhão, o trigésimo em 10 anos em um prédio da autarquia, mostra a difícil situação em que os atuais diretores deixaram o INSS.
 
Todo objetivo de uma greve é chegar a um acordo que seja bom para ambas as partes. Ao negar o direito dos peritos terem esse acordo, o governo, estimulado pela diretoria “kamikaze” do INSS, além de incorrer em descumprimento de normas internacionais de relações trabalhistas, corre o sério risco de explodir muito mais que uma carreira, vão explodir todo o sistema previdenciário.
 
Para nós, peritos, o foco é permanecer no movimento, só assim venceremos o preconceito do governo contra nós e conseguiremos nossos objetivos. Agora, mais que nunca.”

Fonte: ANMP - 07/01/2016